Cidades
Negros s�o discriminados no mercado de trabalho
Os brasileiros negros e pardos correspondem a 46% da população total do País e, no ano passado, o rendimento médio dos que estão ocupados correspondeu a cerca da metade do rendimento dos trabalhadores brancos. Na região Sudeste, maior mercado consumidor do País, o rendimento médio dos brancos correspondeu a 4,5 salários mínimos em 2001, contra 2,3 dos negros e 2,2 dos pardos. O rendimento médio dos ocupados nesta região foi de 3,7 salários mínimos no ano passado, acima da média nacional, que ficou em 2,9. Os dados fazem parte de estudo divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre a desigualdade social no mercado de trabalho. Segundo o levantamento, a proporção de negros e pardos ocupados é maior nos ramos agrícola, construção civil e prestação de serviços. Nos serviços domésticos, enquanto a participação de brancos é de 6,3%, a de negros chega a 13,7% e a de pardos a 9,1%. O ingresso precoce no mercado de trabalho é mais acentuado em São Paulo, onde quase um quarto dos jovens negros compõem a população economicamente ativa (PEA) dessa faixa etária, com 23,3%, contra 20% dos não-negros. Desemprego O Dieese alerta, ainda, que são os negros que convivem com os maiores níveis de desemprego nas regiões metropolitanas do País. Em São Paulo, a taxa de desemprego para os negros é 7,2 pontos percentuais acima da taxa para os não-negros. Em Salvador, por exemplo, em média, de cada cem negros na força de trabalho, 29 se encontravam desempregados nos primeiros seis meses de 2002, enquanto 19,9 dos não-negros estavam sem trabalho. Em 2002, as maiores diferenças foram encontradas em Salvador, Porto Alegre e São Paulo, onde as taxas de desemprego para os negros são superiores a dos não negros em, respectivamente, 9,1, 7,8 e 7,2 pontos percentuais. As diferenças mostram-se mais acentuadas em relação à cor do que ao sexo dos trabalhadores. As taxas de desemprego verificadas para os homens não-negros, embora muito elevadas, são menores, em todas as regiões, quando comparadas às mulheres (negras e não-negras). O estudo afirma que, mesmo diante da diminuição da presença de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos no mercado de trabalho, a parcela de negros nesta faixa etária é bem superior a dos não-negros.