Cidades
Projeto social de AL � finalista nacional
A baiana Iraê Cardoso, 58 anos, que adotou Alagoas como sua terra natal, pode ser a primeira representante do Estado a receber o Prêmio Claudia, a maior premiação feminina da América Latina. Em sua 18ª edição, a honraria destaca inciativas de mulheres competentes, talentosas, inovadoras e empenhadas em construir um Brasil melhor. Iraê chegou à final por ouvir pessoas que não ouvem. Ela é presidente da AAPPE (Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais), uma organização da sociedade civil e sem fins lucrativos. A alagoana por opção é uma empreendedora social que abraçou a causa, com mais afinco, desde a morte de seu irmão surdo. Ela lembra que, ainda jovem, o irmão foi atropelado e sua mãe foi praticamente acusada de ser a responsável por ?ter deixado um surdo andar sozinho?, disse, à época, o oficial do Exército culpado pelo acidente. ?Naquele dia, tive a certeza de quanto os surdos sofrem preconceitos e tive a certeza de que faria algo para mudar isso?. Passados alguns anos e em solo alagoano, a baiana percebeu a carência de políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência auditiva. A premiação será entregue no dia 7 de outubro, em São Paulo. Com grandes chances de voltar com o reconhecimento, ela leva na bagagem histórias como a de Maria Ermínia e Jerlan Batista, ambos assistidos pela instituição. Maria Ermínia tem 55 anos e vivia, por causa da surdez, em um mundo particular com contato restrito aos familiares. Sua vida mudou desde que conheceu a AAPPE e aprendeu a se comunicar, há 14 anos.