Cidades
Epidemia do crack atinge 0,8% da popula��o nas capitais do Pa�s
Os documentos de identificação se perderam ao longo dos quatro anos em que está nas ruas. Usuário de crack, Tiago de Oliveira Nascimento não sabe sequer a idade. Diz que tem 41 anos, mas o amigo com quem convive fazendo ?bicos?, Jonathan de Souza Silva, de 31, contesta: ?Ele num sabe de nada não?. E tem razão, pois, apesar do aspecto envelhecido, Tiago aparenta bem menos idade. Ao contrário dele, Eliana Maria da Conceição responde alto ao ser indagada sobre a própria idade. ?Tenho 29 anos. Por quê??, dispara. Sua aparência é de quem tem bem mais. O uso do crack lhe deixou envelhecida, esquelética. Dando sinais de tristeza, revela a vontade de interromper o uso da droga ?pra ter vontade de comer e melhorar a aparência?. Esses dois maceioenses não se conhecem, mas vivem a mesma realidade de miséria imposta pela dependência de uma das drogas mais destruidoras em uso por dependentes químicos. Tiago e Eliana estão entre os 370 mil brasileiros de todas as idades que, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) usaram regularmente crack nas capitais do País, ao longo de pelo menos seis meses em 2012. Em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça, a Fundação, ligada ao Ministério da Saúde, saiu às ruas do Brasil para fazer um levantamento sobre o uso do crack, já reconhecido como causador de verdadeira epidemia na vida dos brasileiros. A pesquisa mostrou que o número de usuários corresponde a 0,8% da população das capitais brasileiras e a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nessas cidades.