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Usu�rios abandonam todos os v�nculos

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Outro exemplo de como o crack se expande de forma rápida e fácil é o uso por um engenheiro civil de 44 anos, de classe média alta, que abandonou todos os vínculos, profissionais, familiares e afetivos, depois que começou a fazer uso da droga. A história de Fernando (também nome fictício) é dolorosa. Ele circula pelas áreas nobres de Maceió, pedindo a um e outro dinheiro para comprar crack. Fernando costuma percorrer os bares de Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara, juntando-se também a usuários que perambulam pelo bairro de Jaraguá. ?Somos tomados por uma tristeza imensa de vê-lo assim!?, lamenta um amigo do engenheiro, que pede para não ter revelados nem o nome nem o cargo que ocupa num órgão da administração pública estadual. Histórias como a da adolescente Laís e do engenheiro Fernando estão se repetindo com cada vez mais frequência, apavorando a classe média e alta da capital alagoana. Dependentes contam que há traficantes matriculados em escolas de alto poder aquisitivo com o único objetivo de disseminar o consumo de drogas. ?A droga assola nossa cidade como uma epidemia incontrolável?, alerta a presidente do Fórum Permanente de Combate às Drogas, Noélia Costa, para quem só grandes investimentos em políticas preventivas e na recuperação de dependentes poderão reverter o quadro. Envolvida com a luta contra as drogas, Noélia destacou a pesquisa realizada pela FioCruz como importante instrumento dessa batalha. ?O trabalho é muito bom, traz informação mais real, aborda questões de saúde e traça um perfil do usuário?, afirma ela. Mas a presidente do Fórum faz uma ressalva: em sua avaliação, o trabalho deveria ter incluído o uso de maconha, pois essa droga além de ser, junto com o álcool, o entorpecente da primeira vez do usuário, está sendo misturada com o crack.

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