Cidades
Com medo, moradores evitam dar entrevistas
O sistema é bruto. Basta pouco tempo na Faixa de Gaza para perceber a tensão no ar. A chegada do carro de reportagem da Gazeta provoca um rebuliço nas ruas. Em instantes, grupos de três, quatro, cinco homens se reúnem a cada esquina para observar todos os passos da equipe, locais que se dirige e principalmente quem se atreve a dar entrevista. Desde o primeiro momento da nossa chegada um Gol preto, com vidros fumês, ficou rondando o veículo com a marca da Gazeta. Os entrevistados não escondiam o desconforto, quase todos não se deixaram fotografar, alguns pediram para não ter o nome revelado. Não era por menos, vez por outra, durante as entrevistas, chegava alguém para escutar a conversa ou, simplesmente, para deixar bem claro que estava escutando. ?Aquela é a mãe do traficante daqui?, mostrou uma das nossas fontes, tentando disfarçar. Logo após a nossa saída, funcionários da escola e do Cras foram ameaçados por traficantes pelo simples fato de terem conversado com os repórteres. ?Disseram que se a gente tivesse entregado eles, iríamos amanhecer com a boca cheia de formigas?, disse uma fonte. Não é difícil compreender por que o Posto de Saúde, o Cras, o Espaço de Lazer dos grupos de convivência e a escola já fecharam as portas por falta de segurança. A primeira vez foi em 2011, mas este ano o problema voltou a se repetir. No início deste ano, a sede do Cras e o anexo foram fechados. Após muitos debates e promessas de reforço na segurança, foram reabertos no mês de junho.