Cidades
UM INIMIGO TRAI�OEIRO
A mama é o primeiro objetivo da vida, o primeiro alvo dos recém-nascidos para saciar a fome. Revestido com a aura da maternidade e toda expressão feminina consequente, o seio exala amor e oculta segredos que se revelam por partes, em nuances discretas, das descobertas da puberdade ao fascínio estético. A mama tem seus caprichos e precisa de atenção. É como um salão de festas na vida da mulher que pode ser invadido por visitas nada agradáveis, nocivas: as células de câncer que não foram convidadas e, por isso mesmo, precisam ser expulsas o mais rápido possível, antes que destruam tudo o que veem pela frente. Até hoje não se descobriu um modo de evitar o câncer de mama, mas o mal pode ser extirpado por meio de cirurgia e combatido com sessões de quimioterapia e radioterapia. A cada ano que passa, cerca de 1 milhão e 500 mil mulheres recebem o diagnóstico da doença no mundo. Na outra ponta do problema, são 500 mil casos que evoluem para óbito todos os anos. Daí a importância de iniciativas como o ?Outubro Rosa?, mobilização que acontece em todo o planeta para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce, com foco na necessidade urgente de aumentar os exames de mamografia. Levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) aponta a incidência de 440 novos casos registrados por ano, aqui em Alagoas. O diretor da SBM em Alagoas, João Aderbal, não para de ?bater na tecla? de que as chances de cura estão diretamente relacionadas ao tamanho do tumor. Daí a importância de aumentar a realização dos exames e conseguir acelerar o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento. Na teoria é ótimo, mas na prática... a boa vontade esbarra nas querelas do enxovalhado Sistema Único de Saúde (SUS).