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Afastado da fam�lia por causa da pobreza, vigilante sonha conhecer a m�e biol�gica

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POR CRISTINA SAMPAIO A maior tristeza do vigia José Augusto Marcelo, conhecido como Zezinho, é não ter o que dizer aos três filhos quando perguntam quem são seus avós paternos. A angústia e a vergonha por não saber quem é a mãe biológica ele carrega há 33 anos. Mas a esperança faz com que ele sonhe todos os dias em conhecê-la . A história do ?seu? Zezinho, que trabalha como vigilante há dois anos e meio na Cliom ? Clínica de Oncologia de Maceió, no Farol, é a mesma de centenas de nordestinos que logo recém-nascidos são afastados da mãe por contingência da pobreza e da ignorância. Cidadão Apesar de ser direito de todo cidadão o amparo legal na busca de parentes e pessoas desaparecidas, o caso de seu Zezinho não encontra respaldo em nenhum programa de assistência às famílias de pessoas desaparecidas. José Marcelo conta que nasceu em Maceió. Sabe que a mãe chama-se Cícera, é alta, branca, cabelos lisos e magra, tinha 13 ou 14 anos na época em que deu à luz, e trabalhava em Maceió como doméstica. Quando completou um mês de vida, a mãe o levou para a Fazenda Beleza, em Chã Preta, e deixou a criança com o pai, seu José Marcelo, que trabalhava como pedreiro e maquinista de engenho na própria fazenda. Foi o avô materno de Zezinho quem o criou, com a ajuda de uma mulher, Sebastiana Marcelo. Quando criança, ao perguntar sobre os pais biológicos, todos diziam não ter conhecimento do mesmo. ?Falavam que minha mãe me entregou ao meu avô com um mês de vida, juntamente com uma mala, e que voltaria após dois meses trazendo dinheiro e mantimentos?, explica. Seu Zezinho cresceu, mudou-se para Maceió, casou e nunca reencontrou a mãe. Únicos parentes ?A minha vontade de vê-la é imensa, seja ela quem for. Quero poder dizer aos meus filhos que eles têm avó, e se, por infelicidade, ela estiver morta tenho direito de saber e ir vê-la no túmulo?, desabafa. O vigia explica com tristeza que seus avós maternos que o criaram já morreram. E os únicos parentes vivos são dois supostos irmãos de sua mãe chamados Geraldo e Francisco, os quais nunca conheceu. José Augusto Marcelo tem 33 anos, é casado há 10 anos com Francisca Madalena da Conceição, tem três filhos, mora na Rua Professor José Bandeira, 128 ? Jacintinho. Para contatos: pelo celular dele: 9998-8194 ou na Cliom ? Clínica de Oncologia de Maceió, Av. Fernandes Lima, 240 ? Farol ? Fone: 336-4549. Tentativas em vão Em Alagoas há quase nenhuma possibilidade de ajuda do poder público para localizar pessoas desaparecidas. Apesar de a Constituição Federal garantir o respeito aos direitos humanos, o Estado não dispõe de nenhum Programa de Busca de Desaparecidos. Os que existem são direcionados a crianças desaparecidas ou para identificar parentesco através de DNA com outros objetivos, que ainda não está funcionando.

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