Cidades
Leia a seguir outros trechos das entrevistas com as m�es
Família ?O amor muda, a gente precisa pensar com a razão para não afundar junto. Quando ele entra na crise de abstinência, não tem mãe ou ninguém no mundo que consiga controlar. Por isso, o melhor é levar para uma clínica de recuperação. Eu também faço autoajuda, o tratamento de recuperação é para todos, a família não pode deixar de viver, meus outros filhos mais novos estudam, uma faz faculdade o outro terminou o ginásio, eles também precisam da mãe.? Pressão ?Um traficante me procurou várias vezes querendo receber o dinheiro que o meu filho devia. Este cara dizia que ia matá-lo, que ele tinha que dar o dinheiro de qualquer forma. Tem muitas mães que não aguentam isso e pagam, eu mesma dei algumas quantidades em dinheiro para o meu não morrer. No começo, a gente cede por medo, por ameaça, por falta de conhecimento, mas não pode ser assim, isso não termina nunca, é preciso tomar uma atitude, dar um basta, e foi o que eu fiz.? Internação Ele foi levado à força, é sofrido demais, a pior coisa que pode acontecer a uma mãe, mas tem a esperança, é um trauma com esperança. Ele está internado na clínica há um mês. Quando fiz a primeira visita, no dia 1º, ele olhou para mim e disse: ?quando eu sair daqui, vocês vão me pagar!?? O filho eterno Quando precisa de alguma coisa, ele volta a olhar com aqueles olhos da criança que um dia foi, mas é tudo fingimento. Se você ceder, é o mesmo que pegar na alça do caixão dele. Não adianta se iludir que ele vai mudar, não muda, se deixar em casa, sem o tratamento, ele volta a se tornar um monstro. Além dele se prejudicar, prejudica todas as pessoas que estão ao redor dele. É preciso ter força e muito amor para aguentar tudo isso. E só é mãe quem educa.? Perigo ?Se não tivesse internado, ele hoje poderia estar morto. O nosso maior medo era que esses marginais invadissem a nossa casa para matar o nosso filho. Ou que, a qualquer momento, alguém ligasse avisando que ele morreu. A gente conhece vários casos de amigos dele que estavam marcados para morrer e morreram. Ele mesmo já dizia para mim: ?fulano de tal vai rodar, vai morrer?. Com pouco tempo, esse fulano aparecia morto.? Destruição Eu nunca dei dinheiro para ele comprar drogas, de jeito nenhum, sempre enfrentei. Na abstinência, ele ficava parecendo um bicho, quebrou geladeira, estante, sofá. Ou eu dava dinheiro ou ele quebrava mais coisas. Uma vez, ele quebrou a TV e rasgou as roupas. Eu gestante, ele me xingou, eu disse que ia chamar a polícia, ele disse que ia me matar, mas eu não tive medo, não cedi, chamei a polícia, veio uma viatura lá em casa, os policiais chegaram junto e ele viu que eu não estava para brincadeira. A nossa vida virou um inferno.?