Cidades
Viol�ncia destr�i fam�lias e deixa rastro de sofrimento e medo
É estranho ouvir falar que Maceió é a sexta cidade mais violenta do mundo. Com praias tão belas, bares badalados e tantas alegrias, a capital do réveillon vip é a mesma que tem a maior taxa de homicídios do Brasil? É só deixar a zona de conforto da área nobre para perceber que sim. Basta olhar em áreas como a Grota do Moreira, encravada numa encruzilhada entre a orla, o Farol e os dois shoppings da parte baixa da cidade, afundada nos limites do Jacintinho e do Feitosa, com população estimada em 30 mil habitantes. Lá, mora a ex-cortadora de cana, ex-empregada doméstica, ex-diarista, romeira de Padre Cícero, devota de Frei Damião e hoje aposentada, Maria Petrúcia Santos Pereira, 66 anos. A casa pendurada na encosta é úmida, vazia, iluminada por frestas do telhado sem forro. Na parede caiada, de reboco frágil, as fotos dos filhos assassinados e um quadro da Última Ceia de Jesus com os apóstolos. Todo santo dia, Petrúcia acorda, admira as imagens da Eucaristia e observa o casal que gerou e perdeu para o mundo. A mãe da grota lembra, chora e bebe, quase sempre. Virou alcoólatra. ?Bebo muito, para esquecer e chorar. Converso só... e choro. Fico olhando para os retratos e começo tudo de novo, eu me lembro todos os dias?, assume. Além dos mortos, há vivos também vítimas da violência. Petrúcia é uma delas. Uma facada no coração matou o filho Márcio Anderson, de 19 anos, em 1998, após uma briga de bar. A primogênita, Suely Pereira, foi executada a tiros em 2010, aos 36 anos, por não pagar uma dívida com o tráfico de drogas.