Cidades
Sem-teto permanecem na Avenida
O calor, a umidade e a fome moram com as famílias sem-teto que montaram acampamento num terreno à margem da Avenida Márcio Canuto, no Barro Duro, há três meses. Há dois meses, eles receberam uma ordem de despejo, mas não arredam o pé de lá, mesmo sabendo que são vistos apenas como uma paisagem desagradável para muitas pessoas que passam de carro ou moram nos apartamentos da região. Corretores de imóveis que trabalham em estandes ali perto reclamam que ?a nova favela? atrapalha as vendas. E há quem passe xingando e fazendo ameaças. ?O povo passa e diz que vai tocar fogo na favela, chama a gente de vagabundo, de ladrão, mas você acha que a gente está aqui por que quer? Eu mesma estou desempregada há um ano e não tinha mais como pagar aluguel Já chorei muito de tristeza?, relata Amara de Socorro. O grupo faz parte dos sem-teto despejados de um terreno na Santa Lúcia, no início do ano. De lá para cá, já pelejaram muito em novas ocupações e ordens de despejo, como na sede da Eletrobras, na Avenida Pierre Chalita e no prédio abandonado do INSS, no Centro.