Cidades
Viol�ncia contra negros vai al�m de homic�dios
Considerando mortes por homicídios, a Nota Técnica nº 10, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), intitulada ?Vidas Perdidas e Racismo no Brasil?, divulgada no último dia 19, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra, mostra que Alagoas ?ganha o troféu do estado mais violento para a população negra?. Aqui é onde há a maior perda de expectativa para homens negros. Mas, segundo o sociólogo alagoano Sávio de Almeida, professor-doutor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e estudioso de questões sociais, com foco no escravismo colonial e contemporâneo, a realidade da população negra alagoana é ainda pior do que mostram os registros acerca da violência dos homicídios. O estudo mostra que a taxa de assassinatos de negros em Alagoas é a maior do País: mais de 80 são mortos em cada grupo de 100 mil habitantes. ?Apesar de chamar a atenção, os números nem sequer raspam a violência que se comete sobre os negros?, disse Sávio de Almeida, ao comentar a Nota Técnica com o estudo do Ipea. O negro é assassinado por que é pobre, ou o pobre é assassinado por que é negro? Elaborado pelos pesquisadores Daniel R. C. Cerqueira e Rodrigo Leandro de Moura, o estudo prova que uma situação está diretamente ligada a outra. Ou seja, o negro é duplamente discriminado no Brasil, seja por sua situação socioeconômica, seja pela cor de sua pele. Para o professor Sávio, é difícil selecionar uma causa para explicar o que vem acontecendo. ?No fundo, é todo um modo de ser da sociedade e, mormente, do Estado que se explicitam nestes índices. O lado criminoso da economia alagoana, seu modo de ser e fazer-se é que chama primeiramente a atenção?, declara ele.