Cidades
Familiares dormem na fila por vaga em escola
O eletricista José Vitor dos Santos quase não curtiu o réveillon. Ele estava na fila em frente à Escola Municipal Antídio Vieira, no Trapiche, na tentativa de garantir uma vaga para a neta de 12 anos. ?Ela está vindo de outra escola. Ouvi dizer que conseguir vagas para novatos é ainda mais difícil. A menina não pode correr o risco de ficar sem estudar. Seria um ano perdido. Por isso, qualquer sacrifício vale a pena?, detalhou. Seu José Vitor não está sozinho. Pelo menos umas 60 pessoas já estão à frente da escola. As pessoas fazem uma espécie de rodízio, onde cada um guarda a vaga do outro usando pedras, tijolos e até papelão. Em uma escala de folga e ?serviço?, um ajuda o outro a garantir a entrada na Antídio Vieira, somente a partir da próxima segunda-feira, e efetivar a matrícula. A dona de casa Maria José de Freitas chegou no dia 1° e já é a 20ª da fila. Ela se reveza com a filha que quer ingressar no 6° ano do ensino fundamental. Assustada, ela disse que estão expostos a toda sorte de acontecimentos. ?Esse negócio de levar sol na cara e de ficar sem dormir é o de menos. O risco é ser assaltada como uma das mães foi e desistiu de ficar na fila depois que colocaram uma arma na cabeça para levarem seu celular. A escola deveria dar ficha a quem chegou primeiro e pronto, tudo certo, era só esperar a semana que vem?, diz.