Cidades
Conseq��ncia da fome, tuberculose � amea�a para fam�lia em Carneiros
Carneiros - A família de dona Cícera, residente na Várzea da Esteira, um dos povoados mais pobres do município, depende de 45 reais do Programa Bolsa-Escola (são três filhos menores matriculados) e da renda do filho maior de idade e do genro, que trabalham no corte da cana; mas está para ser desfalcada, com a doença do genro, que não suporta mais a carga pesada no eito do corte da cana. Moacir Valentino da Silva, 37, trabalha cortando cana para a Usina Guaxuma, mas está com suspeita de tuberculose. Pai de sete filhos, a mulher não quer pensar no que vai ser com o marido desempregado, necessitando de remédios. ?Ele trabalha fichado (tem carteira assinada), mas o médico não quis dar o atestado. Ele sente febre todas as tardes, está tossindo bastante e não tem mais forças para o trabalho?, conta Cleide, a mulher, filha de dona Cícera. Cesta básica Para os sertanejos que vêm trabalhar no corte da cana, o início da moagem é a única saída de que dispõem para arrumar emprego. No sertão, a diária foi congelada em 5 reais para os homens e 3 reais para as mulheres, mas ainda assim está difícil de conseguir trabalho. ?Muitos fazendeiros aqui, na verdade, trabalham para o banco. Tudo o que tem está empenhado ao banco e o fazendeiro vive preocupado em não perder a terra. O gado foi adquirido com financiamento, tudo foi adquirido com crédito do banco. Ninguém quer gastar pagando empregado e trabalha com o mínimo possível?, diz Adriano, outro filho de dona Cícera, que se recusa a vir para o corte da cana ou, como eles chamam, ?vir para o sul?- referência ao Sul do Estado, onde estão localizados os canaviais. ?Eu só vou para o sul cortar cana se for fichado (se assinarem a Carteira de Trabalho), porque clandestino, como eles querem levar a gente, eu não vou. Prefiro ficar aqui. Se você trabalhar clandestino e sofrer um acidente, está perdido. Ninguém vai lhe socorrer?, disse. A tuberculose que ameaça Moacir Valentino, marido de Cleide, cunhado de Adriano e genro de dona Cícera, é a conseqüência menos grave da fome ? pior é a morte. A doença que parecia sob controle voltou a ameaçar e já atinge uma parte da população de que antes raramente aparecia nas estatísticas da Secretaria de Saúde ? exatamente os sertanejos, apontados como forte. ?Se o meu genro ficar desempregado, não sei como vou poder tratar dele. Aqui em Carneiros não tem hospital. Vou ter de levá-lo para Maceió e isso requer dinheiro. A gente não tem condições financeiras para pagar o tratamento, nem sabemos como poderemos fazer para tratá-lo. Tudo o que temos a fazer, agora, é entregar a Deus, rezar para que Deus tome conta dele e dos sete filhos pequenos que eu crio. Estão todos aqui na minha casa, passando como Deus quer?, desabafa dona Cícera, resignada.