app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5751
Cidades

Casais em segunda uni�oganham apoio da CNB

ANA MÁRCIA Maceió é uma das oito cidades brasileiras a dispor da Pastoral de Casais em Segunda União, criada em 31 de julho de 2000, pelo então arcebispo metropolitano, dom Edvaldo Amaral. O movimento nasceu em Jundiaí (SP), há menos de dez anos, media

Por | Edição do dia 01/12/2002 - Matéria atualizada em 01/12/2002 às 00h00

ANA MÁRCIA Maceió é uma das oito cidades brasileiras a dispor da Pastoral de Casais em Segunda União, criada em 31 de julho de 2000, pelo então arcebispo metropolitano, dom Edvaldo Amaral. O movimento nasceu em Jundiaí (SP), há menos de dez anos, mediante um promotor público aposentado, João Bosco Oliveira, 65, e sua segunda mulher, a advogada Aparecida de Fátima Fonseca Oliveira, 45. Eles se inspiraram numa exortação apostólica do papa João Paulo II para uma maior integração com divorciados que contraem nova união. A pastoral está presente, ainda, em Uberlândia, Natal, Vitória, Niterói, Porto Alegre e Florianopólis. Na capital alagoana, o casal Ayrton Ferreira de Araújo Tenório, 40, juiz da Comarca de Maragogi, e Ana Lúcia Ferreira de Araújo Tenório, 37, promotora de Justiça, coordena a pastoral, com o assessoramento espiritual do frei Severino de França. Ayrton e Ana foram casados durante dez anos em suas primeiras uniões e estão há seis vivendo uma nova família, com dois filhos, de 17 e 15 anos, do primeiro casamento de Ayrton, e uma menina de 14 anos, do primeiro casamento de Ana Lúcia. “A gente encara esse trabalho como um missão divina”, diz Ana Lúcia, ao enumerar que a função da pastoral é acolher os irmãos em situação similar; a defesa, afirmação e a valorização dos sacramentos do matrimônio e da eucaristia; o apostolado da piedade eucarística e a inserção nos ministérios possíveis na diocese e paróquias. Reúnião Ao contrário do que muita gente imagina, Ana explica que os casais do movimento aceitam, por meio de uma renúncia consciente, a não-participação na eucaristia, porque, conforme evidencia, “Deus quer salvar a todos, sem distinção”. Diante desta renúncia, há uma maior valorização deste e de outros sacramentos da Igreja. O mandamento básico e fundamental é o amor: fazer com os outros o que gostaríamos que fizessem com a gente e, segundo o casal, isso vale também para os ex-maridos e ex-mulheres que, na maioria dos casos, são relações marcadas por dor, mágoas e ressentimentos que devem ser superados. “Há uma preocupação maior com a caminhada espiritual”, explica Ayrton. Pelo entendimento da Igreja, casal de segunda união é aquele em que ambos os membros ou apenas um deles, recebeu o sacramento do matrimônio e depois passaram por um processo de separação ou divórcio e se uniram a outra pessoa, formando uma união estável. É necessário, de acordo com Ayrton Tenório, que ele faça dessa nova vida, uma postura de vida comum: séria, responsável, perseverante e fiel. Os 23 casais da pastoral se encontram mensalmente. Igreja Dentre os frutos desse trabalho eles enumeram: o crescimento do casal e de seus filhos na fé e a participação na Igreja, preservação dos valores cristãos, a comunhão espiritual, renúncia consciente aos sacramentos da eucaristia, penitência e matrimônio, buscando assim, com seu testemunho, evitar novas separações na vida da Igreja, busca e aperfeiçoamento na fé, entre outros. Neste contexto, Maceió vive uma experiência pioneira: trabalha com os filhos dos casais de segunda união, por intermédio do frei Severino, assessor espiritual do movimento. “São pessoas, sobretudo crianças e adolescentes, que vivem com um homem que não é seu pai ou com uma mulher que não é a sua mãe e com irmãos que não são irmãos, mas mesmo não sendo a família ideal, podem viver felizes, em harmonia com a nova família”, ressalta Ana Lúcia. ### Desquitados no Brasil somam 5 milhões A Igreja Católica, por meio das pastorais de descasados, resolveu receber esse contingente para os quais os evangélicos sempre estiveram de braços abertos. Hoje são mais de cinco milhões de brasileiros desquitados ou divorciados que formam novas famílias. Na última década, as separações judiciais cresceram quase 20% e a forma de união consensual, em que os parceiros não se casam no religioso, é a opção de um terço do total de casais segundo dados publicados na Revista Isto É (13.11.2002). A Pastoral de Casais em Segunda União, presente em 150 das 280 dioceses do País, com a adesão de 40 mil casais em 1.500 paróquias, tem o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mas foram as palavras do papa João Paulo II que chamaram a atenção para o problema. Em sua Exortação Apostólica “Familiaris Consortio nº 84 ele diz: “Exorto vivamente os pastores e toda a comunidade dos fiéis a ajudarem os divorciados, promovendo com uma caridade solícita o seu acolhimento pela Igreja, fazendo com que participem na sua vida, ouvindo a palavra de Deus, perseverando na oração, cultivando as obras de caridade e as iniciativas comunitárias a favor da Justiça”. Ele partiu da premissa de que Jesus Cristo veio para salvar e a Igreja existe para salvar. Congresso No X Congresso Nacional da Pastoral da Família, realizado no Recife, no período de 6 a 8 de setembro último, a Arquidiocese de Maceió enviou dois casais que coordenam o movimento no Estado, além do frei Severino de França, assessor espiritual. O evento contou com a participação do cardeal Lopez Trujillo, do Pontifício Conselho para a Família. Em seu pronunciamento, lembrou que numerosos matrimônios são desfeitos e posteriormente constituem novas uniões: a Igreja observa que cresceu o número de pessoas que se separam e voltam a se casar. “Tal situação é particularmente irregular, uma vez que a Igreja não aceita o divórcio e não permite um novo matrimônio religioso, mas ela deve ser misericordiosa devendo ajudar esses casais. Esse drama existe, a situação de divorciados recasados existe, daí surge a necessidade de uma pastoral voltada a esses casos especiais”, afirmou Lopes Trujillo. Familiares Segundo ele, a “Familiaris Consortio” afirma que estes casais não são admitidos à comunhão eucarística, mas podem participar de outras atividades na Igreja: como ser catequistas, adorar Jesus Sacramentado, incentivar a prática da caridade, entre outras. Uma das missões da Pastoral de Casais em Segunda União, além do acolhimento de irmãos em situação similar é evitar que ocorrem novos divórcios ou separações no seio da Igreja, pelo testemunho doloroso e exclusões em suas vidas. Ela se propõe, ainda, a cuidar melhor da preparação dos candidatos ao casamento, evidenciando o valor do sacramento do matrimônio.

Mais matérias
desta edição