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UPAS N�O DESAFOGAM O ATENDIMENTO NO HGE

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A implantação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) é alardeada pelo governo do Estado como a panaceia para a resolução de todos os males que afligem a saúde pública em Alagoas. O remédio agiria, sobretudo, aliviando o coração do sistema: o Hospital Geral do Estado (HGE), acometido pela superlotação de pacientes, grande parte procedente do Interior do Estado, onde não há atendimento especializado. Sem efeito, o fármaco milagroso não passa de placebo na boca dos pobres doentes. A Gazeta verificou que duas das três UPAs em funcionamento no Estado (Viçosa e Penedo) operam basicamente como meros ambulatórios, desvirtuando-as totalmente do seu propósito: o atendimento de urgência e emergência. Faltam cirurgiões, ortopedistas e até equipamentos. Para o presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), Fernando Pedrosa, as UPAs não vão desafogar os corredores do HGE. ?A grande sobrecarga do HGE é de pacientes que necessitam de internamento e esse não é o objetivo das UPAs. Os pacientes graves receberão um primeiro atendimento na UPA, mas será posteriormente encaminhado ao HGE para continuidade no atendimento?, detalhou Pedrosa. Nas UPAs que estão para abrir, a exemplo de Maragogi, os gestores temem arcar sozinhos com as despesas de manutenção dessas unidades, que tendem a receber pacientes de outros municípios da região, mas sem nenhuma compensação financeira à administração das cidades-sede. Segunda-feira, dia 20 de janeiro de 2014, 8h30 da manhã e nos corredores do único hospital público de Alagoas, o Hospital Geral do Estado (HGE), no Trapiche, uma cena insiste em se repetir diariamente, anos após ano. Pacientes agonizam em macas que, improvisadamente, fazem o papel de leito hospitalar e familiares tentam, em vão, que seus entes queridos recebam um olhar mais humanizado para diminuir a dor de quem precisa da rede pública de saúde no Estado. A reportagem da Gazeta de Alagoas se dividiu na capital, região Norte e Agreste alagoanos e, durante uma semana, acompanhou o drama dos que não podem pagar para ter acesso à rede privada de atenção à saúde. Mototaxista, Leandro dos Santos, 22, espera atendimento para saber se poderá voltar a andar ou não. Ele teve parte da perna esmagada em um acidente com o veículo que lhe serve de sustento. A dona de casa, Amanda Leopoldino, 58, está com fortes dores no peito. A menor P.Q.S., 6, chora nos braços da mãe. O colo materno é seu único alento diante da longa espera para ver se quebrou o braço no momento em que caiu da cama beliche em casa.

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