Cidades
Falta de estrutura agrava mortalidade materna
?A mortalidade materna é uma tragédia ignorada e é assim porque suas vítimas são pessoas ignoradas, as que menos podem influir na forma como se vão investir os recursos nacionais?. A frase da Organização Mundial de Saúde (OMS) retrata o que é percebido nas maternidades brasileiras: falta estrutura para atender à demanda de gestantes. O índice de mortalidade de parturientes considerado aceitável pela OMS é de 20 óbitos para cada 100 mil nascidos, algo muito distante da realidade do Brasil, cujas mortes giram em torno de 40%. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Holanda e Reino Unido, esse número cai para 12%. O obstetra Telmo Henrique Barbosa de Lima, integrante do Comitê da Prevenção da Mortalidade Materna da Maternidade Santa Mônica, afirma que, nos países desenvolvidos, a maior parte das mortes registradas era inevitável, ao contrário do Brasil, onde a maioria dos óbitos poderia ser evitada. ?A cada dia, morrem cerca de 300 mulheres no mundo e sua maioria absoluta é formada por pessoas pobres. Para prevenir mortes nos partos, é fundamental investir em um pré-natal de qualidade, com a captação da grávida no início da gestação e com o consequente diagnóstico precoce de qualquer patologia que se apresente?, explicou.