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Cubanos evitam falar de abandono ao programa

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Maragogi ? Braços cruzados, retraídos, talvez em sinal de defesa; respostas sucintas e, algumas vezes, o próprio silêncio como réplica. Os cubanos do Mais Médicos em Alagoas evitam comentar os casos de desistência do programa protagonizados pelos seus compatriotas. Evitam, sobretudo, falar em Ramona Matos Rodriguez, que abandonou o Mais Médicos dizendo-se ?enganada? pelo baixo salário. Ela saiu de Pacajá (PA) no dia 1º de fevereiro e viajou para Brasília, onde foi acolhida por parlamentes do DEM, críticos do programa. Ramona disse que tomou a decisão depois de descobrir que outros médicos estrangeiros contratados para trabalhar no Brasil ganhavam R$ 10 mil por mês, enquanto os cubanos recebem, segundo ela, US$ 400 (cerca de R$ 965). Ramona pediu refúgio ao governo brasileiro. Ortelio Guerra foi outro cubano a deixar o programa. Ele atuava na cidade paulista de Pariquera-Açu. Na segunda-feira passada, em página de uma rede social, disse que estava nos Estados Unidos. Até a terça-feira, 24 cubanos haviam abandonado o programa - 22 por motivos pessoais ou de saúde. Ventilou-se a possibilidade de o Mais Médico está sendo usado como ?ponte? para a fuga aos Estados Unidos de dissidentes, contrários ao regime cubano instalado por Fidel Castro. ?Não sei?, disse, laconicamente, a médica cubana Nerisley Taquechel Rosabal, quando perguntada sobre os possíveis motivos que estão levando seus compatriotas a deixarem o programa.

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