Cidades
LEI ALTERA ROTINA FAMILIAR
A psicóloga Kátia Costa fez as contas e concluiu que manter uma empregada doméstica em casa não caberia no orçamento mensal da família. O jeito foi chamá-la e fazer um acordo que acabou sendo vantajoso para todo mundo. A funcionária, agora, trabalha como diarista e tem como clientes fixas mais duas amigas de Kátia. De segunda a sábado, ela se reveza nas três residências, totalizando dois dias de serviço semanais para cada uma. A faxina geral sai por R$ 50, o que rende à diarista ganhos mensais de R$ 1.200. É bem mais do que um salário mínimo, hoje na faixa dos R$ 724,00. A funcionária também tem a passagem custeada pelas patroas, mas paga a própria contribuição previdenciária como autônoma. ?Hoje, com as mudanças proporcionadas pela lei, o custo de contratar uma empregada é de quase R$ 1 mil, devido às obrigações sociais. Deixar de ter uma pessoa em casa não é mesma coisa, claro, mas tem seu lado compensador, como a economia e a privacidade?, afirma Kátia. Depois do acordo, os gastos da psicóloga com o trabalho da doméstica caíram para R$ 400, mais a passagem de ônibus. A classe média tem buscado alternativas à elevação dos custos trabalhistas. ?Eu conheço muita gente que faz isso, mas em contrapartida, há quem prefira permanecer trabalhando numa casa só?, conta. A funcionária pública federal Mery Cláudia Torres sempre assinou a carteira das empregadas domésticas, mesmo antes da PEC 66. ?Vejo a lei como uma questão de justiça. Os empregados domésticos são profissionais como todos os outros e têm que ser valorizados?. Mãe de duas crianças, ela tem Suely Ferreira Alves, de 33 anos, como seu braço direito e até como substituta dentro de casa. ?As crianças, às vezes, acordam de madrugada e vão direto para a cama dela?, revela.