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Abandono da periferia marca os 187 anos de Macei�

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Roberto Vilanova Os ingleses, fundamentais na transferência da Capital para Maceió, imaginaram que poderia surgir aqui o paraíso; hoje, 187 anos depois, a visão dos representantes comerciais e empresários ingleses é um pesadelo que transformou a Capital alagoana numa infeliz cidade ? surgiram vinte favelas nos últimos seis anos e o poder público municipal não foi capaz de estancar a barbárie urbana que invadiu até a Lagoa Mundaú, com as primeiras palafitas. Somado ao desemprego, à fome e às doenças que ressurgiram quase como epidemia, como a tuberculose, o quadro social fica ainda mais degradante. Maceió completa 187 anos com uma população superior a 700 mil habitantes, 54 bairros e vinte e cinco favelas ? muitas delas cresceram tanto que se dividiram. A Vila Brejal, por exemplo, tem mais duas favelas. Nas grotas do Reginaldo e da Pitanguinha, hoje, estão fincadas mais seis favelas que foram se desmembrando; no Benedito Bentes já são duas favelas nas encostas e mais quatro, de alvenaria, construídas pela prefeitura nos platôs, ou seja, em cima do morro. Uma delas, conhecida como Conjunto Freitas Neto, lembra o cenário do filme Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Lá, como na favela carioca, a violência também está fora de controle e a polícia só aparece para recolher o corpo. A história O professor Douglas Apratto, PhD em História, descobriu a importância dos ingleses na transferência da Capital para Maceió ? eles fixaram residência em Maceió e atraíram as autoridades estaduais para cá. A enseada de Jaraguá garantia o desembarque e embarque de gente e mercadoria; também se argumentou a vulnerabilidade da atual cidade de Marechal Deodoro, à margem da Lagoa Manguaba ? a antiga Capital tanto poderia ser atacada pelo porto do Francês, de frente, como pelos flancos, ou seja, Maceió, Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte e Pilar. Ainda que a argumentação sob o aspecto da segurança da Capital esteja correta, o certo é que acabou prevalecendo a opinião dos ingleses. O professor Douglas Apratto, pesquisador e autor de vários livros sobre a História de Alagoas, reconhece a participação dos ingleses e, obviamente, dos alagoanos que foram decisivos na transferência da Capital ? até porque houve confronto bélico, não foi um simples ato administrativo. Conhecida e elogiada pelas belezas naturais, Maceió não tem tido sorte ? as administrações municipais lhe têm sido como carrascos. A Capital alagoana completa 187 anos sem saber quem fez ligações clandestinas na rede de galeria pluvial, na Pajuçara. A orla, apontada como uma das mais bonitas do País, está poluída ? no entanto, serve para embarcar os turistas que visitam as piscinas naturais. Há esgotos a céu aberto ? são quatro, entre a Ponta Verde e o Hotel Jatiúca ? projetando para o mar o que a prefeitura deveria recolher e tratar no emissário submarino. O bancário aposentado Hélio Rego, morador da Pajuçara há trinta anos, ensina a prefeitura a descobrir quem fez as ligações clandestinas: - Agora no verão, a prefeitura fecha as galerias e deixa estourar. Quem fez a ligação clandestina será denunciado pelo mau cheiro. Os buracos Na periferia a situação é pior. A população reclama do transporte, que demora; os motoristas reclamam dos buracos e da lama que a prefeitura não tapa, nem recolhe. Os comerciantes reclamam dos assaltos praticados por galeras e a polícia reclama porque não tem gente para cuidar de uma área tão extensa e problemática. ?A pessoa fala assim: é ali no Loteamento Santa Lúcia. Mas o Loteamento Santa Lúcia, hoje, são vários bairros?, comenta o policial Altino, de serviço no Conjunto Eucalipto. Passar quarenta minutos esperando um ônibus é mais do que um teste de paciência. Dona Maria de Lourdes Loureiro, professora, se submete a esse teste de segunda a sexta-feira, quando desce do Tabuleiro do Martins para trabalhar na Ponta da Terra. Para não perder o horário, sai de casa duas horas antes do início da aula, mas nunca consegue pegar o ônibus vazio. A volta para casa é outra odisséia, com os ônibus lotados. ?Maceió cresceu muito e hoje é na base de quem for mais forte. Quando o ônibus vem eu subo e saio me espremendo por ali até encontrar um lugar para colocar o pé?, narra bem-humorada.

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