Cidades
Mais de 80 mil crian�as sustentam fam�lias em AL
ROBERTO VILANOVA O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) em Alagoas ainda não localizou 88 mil e 127 crianças com idade entre 10 e 14 anos que trabalham para manter a família. Elas compõem os números levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando o quadro de degradação social no país. A situação de Alagoas se iguala ao Piauí, embora lá o IBGE tenha identificado o município mais pobre do País. A população de crianças alagoanas com idade entre 10 e 14 anos, de acordo com os dados do IBGE, é de 322 mil e 52. Dessas, 88 mil e 127 crianças integram a chamada mão-de-obra economicamente ativa do Estado, ou seja, têm de trabalhar para sustentar a família. Lá e cá O grosso da mão-de-obra economicamente ativa de Alagoas está na faixa de idade entre os 25 e 29 anos, com 180 mil e 285 empregados. Mas chama a atenção os números do IBGE que mostram quanto ainda falta para a criança alagoana ser bem assistida pelo poder público. O próprio Ministério Público, que criou uma coordenadoria específica para tratar das crianças e dos adolescentes, reconhece que muita coisa ainda precisa ser feita. De acordo com os dados do IBGE, tem-se o exemplo: 78 mil e 962 crianças alagoanas com idade entre 16 e 17 anos precisam trabalhar ? e trabalham no mercado informal ou na roça. Somadas as 88 mil e 127 crianças com idade entre 10 e 14 anos que também trabalham, a mão-de-obra composta por menores de 17 anos, em Alagoas, é igual a 167 mil e 89 crianças e adolescentes. Isto é mais do que a soma de todos os trabalhadores adultos do Estado, com idade acima dos 30 anos. O problema é mais grave porque não está mais localizado apenas na área rural. Lá e cá, ou seja, na capital ou no interior, a situação parece sem controle, como explica o empresário Guido Bittencourt, que distribui sopas com as crianças nas favelas em torno do Benedito Bentes e Eustáquio Gomes. ?As cidades incharam. Essas crianças que o poder público abandonou, amanhã se voltarão contra a sociedade. É preciso que a gente tenha consciência dessa realidade?. Dono da Emel Divisória e de uma empresa de construção civil em Maceió, Guido coloca na carroceria da sua camionete importada o que pode arrecadar na Central de Abastecimento ? Ceasa. Frutas e verduras são doadas e ele faz a distribuição com a população e ainda ajuda no sopão que é preparado pela professora Geneilde Fontes, no Loteamento Bela Vista.