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Cresce �ndice de acidentes com motos em Macei�
FÁBIA ASSUMPÇÃO A proporção que cresce o número de motos em circulação em Maceió, aumenta também o índice de acidentes com esse tipo de veículo. E dezembro é considerado um dos meses mais críticos, quando registra-se um número ainda maior de acidentes com motos por causa das festas de fim de ano. Outro período de crescimento dos acidentes com motos são os meses de chuvas mais intensas, por causa das derrapagens no asfalto escorregadio. O médico Amauri Clemente, plantonista da Unidade de Emergência e membro da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Trauma (SIBAIT) confirma essa tendência de crescimento dos acidentes com moto no fim do ano, por causa das festas e o excesso de consumo de bebidas alcóolicas por alguns motoristas. De acordo com o Setor de Estatísticas da Unidade de Emergência, em 1999 foram registrados 317 acidentes com moto. Em 2000, esse número pulou para 448 e chegou em 2001 a 542. Este ano, até agosto, foram computados 368 acidentes com moto. Os gráficos confirmam que nos anos de 1999, 2000 e 2001, o mês de dezembro foi o de maior número de casos com acidentes com moto, girando em torno de uma média de mais de 50. Esses índices só são supe- rados nos meses de abril e maio, período de chuvas mais intensas. Só este ano, no mês de abril foram registrados 64 acidentes com moto. Equipamentos Segundo Amauri, quase 90% dos motoqueiros vítimas de acidentes graves não usavam os equipamentos de proteção necessários para a condução desse veículo, que não se resume apenas ao capacete, mas inclui luvas, casacos de couro e botas. O médico ressalta a importância, principalmente do uso do capacete, que pode evitar um dos traumas mais graves em acidentes com moto: o traumatismo encefálico. O uso do capacete reduz em 30% os casos de morte por traumatismo encefálico. Mas o capacete tem que estar bem adaptado à cabeça. ?A cada três anos de uso, o capacete deve ser trocado e se sofrer alguma pancada ou apresentar fissura deve ser trocado imediatamente?. Amauri acrescenta que entre os pacientes que sofrem traumatismo encefálico grave, metade vai a óbito. E se tiver outros tipos de traumas, esse índice de óbito pode chegar a 65%. Cerca de 80% dos pacientes que tiveram traumatismo craniano e conseguem sobreviver acabam ficando com alguma seqüela neurológica. Ele afirma, no entanto, que na maioria dos acidentes com moto, os ferimentos são leves. ?Além de traumatismo craniano, acidentes com motos podem provocar politraumastimos, perda de membros, contusão torácica entre outros traumas?. O médico acrescenta que estudos comprovam que o risco de um acidente com moto é 14 vezes maior do que com um veículo que esteja na mesma velocidade. Para Amauri, a maior causa de acidentes com moto ainda é a imprudência dos condutores. Ele lembra que por ser um dos veículos mais acessíveis, por causa do preço, e das facilidades para compra, a moto é um dos meios de transporte mais usados no Estado, principalmente para os serviços de entrega. A pressa para entregar a mercadoria leva, muitas vezes, o motoboy a ser imprudente. A maioria das vítimas de acidentes com moto está na faixa dos 20 aos 35 anos e trabalha em serviço de entrega. Experiência desagradável O funcionário público Heleno Alves afirma que se depender de vontade própria nunca mais pretende pilotar uma moto. A decisão foi tomada depois de um susto no fim de semana passado, quando sofreu um acidente ao dirigir a moto de um amigo e ficar com escoriações por todo o corpo. Ele dirige moto há cinco anos e nunca havia sofrido um acidente. Há muito tempo Heleno trocou a moto por um carro. Mas decidiu deixar o carro de lado e andar na moto de um amigo no último fim de semana. O acidente aconteceu por volta das 4 horas de um sábado, na Ladeira do Óleo, no Jacintinho. ?Eu descia a ladeira e ao fazer uma curva um cidadão ameaçou atravessar a rua e, para não bater nele, tive que inclinar a moto e como minha acompanhante não fez o mesmo movimento, acabei caindo?. Por estar com capacete ele sofreu apenas escoriações nos braços e pernas, chegando a ser atendido na Unidade de Emergência, mas logo foi liberado. Heleno garante que não estava em alta velocidade, mas admite que se estivesse com a roupa adequada não teria sofrido tantas escoriações. ?Realmente eu não estava com roupa apropriada para andar de moto?. Da desagradável experiência ele tira a lição de que moto não é o transporte mais seguro e deve ser vista apenas como um hobby. ?O risco de andar de moto é muito grande, pois a gravidade dos acidentes é muito maior do que num carro?, ressalta. ?Até porque a moto não tem a mesma estabilidade de um carro?.