Cidades
�gua vira artigo de luxo no interior
A procissão para ?Nossa Senhora da Água? é diária, reúne uma legião de adeptos fervorosos e acontece simultaneamente em várias localidades de Alagoas. Cada participante a acompanha como pode: a pé, de carroça, segurando carrinhos de mão, de caminhão, enfim, como é possível. O importante é conseguir ter acesso ao líquido que é cada vez mais precioso e raro. Do Agreste ao Sertão, o povo simples participa de uma romaria que tem hora para começar, mas não para acabar: é a romaria para conseguir um pouco de água para beber, dar aos animais, cozinhar, lavar roupas e louças e limpar as casas. Há 40 dias não aparece uma gota d?água nas torneiras das casas e pontos comerciais do Povoado Piau, em Piranhas, no Sertão. Há mais de dois meses moradores, comerciantes e visitantes do Povoado São Marcos, em Major Isidoro, também no Sertão, não sabem o que é ter o líquido encanado. A mesma história se repete em outros povoados. Na semana passada, a Gazeta esteve nesses dois povoados para contar um pouco da rotina de centenas de pessoas que parecem ?comer o pão que o diabo amassou?, como costumam dizer, para conseguir ter acesso à água. A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) reconhece não haver uma solução a curto ou médio prazos para o problema e culpa a Eletrobras, que estaria reduzindo diariamente as pressões das bombas no sistema de Pão de Açúcar.