Cidades
Via segue fechada ap�s acidente
A interdição da Avenida Comendador Leão e mais de 40 imóveis, no bairro do Poço, por causa do desabamento da torre do Moinho Motrisa, deve durar dias. O risco de queda de uma placa imensa de concreto, que ficou pendurada, acabou suspendendo, na manhã de ontem, os serviços de retirada do restante das 1.600 toneladas de cereal espalhadas pela via. Os trabalhos só foram retomados no fim da tarde. A manhã também foi marcada por uma entrevista coletiva em que várias perguntas ficaram sem respostas. Após responder apenas a algumas questões básicas, o diretor da empresa Moinhos de Trigo Indígena (Motrisa), Paulo Godoy, simplesmente interrompeu a entrevista, deu as costas à imprensa e saiu do recinto, protegido pelo major Burity e por um dos advogados da empresa. ?Estou num estado muito forte de adrenalina porque o que aconteceu não é fácil?. Como não foi possível perguntar tudo na coletiva, lançamos algumas dúvidas aqui nesta reportagem: um trabalho de manutenção e fiscalização mais eficiente teria evitado o acidente? Uma fábrica pode funcionar vizinho a áreas comerciais e residenciais? Como retirar o resto do silo que ficou dependurado? Quanto tempo deve durar a interdição? Uma placa de concreto que já tinha caído há meses não serviu de alerta? Se uma tragédia pode acontecer no caso de o concreto cair, por que continuaram retirando o trigo, ontem pela manhã, arriscando a vida de todos que estavam por lá? A área de isolamento não deveria ser ampliada? Os momentos que antecederam a coletiva foram tensos. A nossa reportagem conseguiu entrar, sem permissão, na sala onde se reunia o comitê de crise, formado por engenheiros e representantes da fábrica, Secretaria de Defesa Social, Defesa Civil Estadual, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). Os integrantes do Motrisa queriam adiar o contato com os repórteres, mas voltaram atrás.