Cidades
Na hora de dormir, presos se deitam pr�ximo a banheiro
Era um espaço de pouco mais 1m x 3,5m, com um banheiro lateral, que fazia uma espécie de L com a cela. O local, nitidamente de contensão provisória, estava com seis homens. Amontoados na porta da cela, trabalhadores autônomos, outros com carteira assinada, haviam sido presos com base na Lei Maria da Penha. Um deles, Silvestre Cândido, 32 anos, esperava há nove dias uma solução para o seu caso. ?Até agora não sei o que vai acontecer comigo. Só fui ouvido no dia em que cheguei e estou aqui até agora?, indagava o perfurador de poços, com cara de assustado. ?Estamos aqui porque desta vez deu para nos separar de pessoas que cometeram crimes como homicídio, tráfico e roubo?, completou Silvestre Cândido. Ao seu lado, o operador de máquinas Francisco das Chagas Nascimento Lopes, 44 anos, também se queixava dos dez dias de espera. ?A essa altura até já perdi o emprego, porque aqui não podemos dar um telefonema, nem para a família?, desabafou, preocupado com a higiene do local. COMIDA A refeição de quem está preso também é uma das reclamações. Conforme relataram, pela manhã, quase sempre após as 9h, chega o café da manhã, composto por um pedaço de pão e café. O almoço é uma quentinha que desce do sistema prisional, normalmente após o meio-dia. Um dos últimos a chegar foi o servente de pedreiro Willams Santos Acioli, de 33 anos. Quando foi ouvido, estava preso há dois dias.