Cidades
Fam�lias invadem casas de conjunto
É preciso uma jornada heroica para sair da margem da Lagoa Mundaú, cruzar o Farol, Tabuleiro, Via Expressa, Benedito Bentes, Moacir Andrade, Selma Bandeira, Cidade Sorriso 2 e chegar ao Conjunto Aprígio Vilela. São três a quatro horas de ônibus para atravessar a cidade, todos os dias, mas o povo sofrido da orla lagunar enfrenta tudo para chegar à sua terra prometida. A chuva que alagou e derrubou barracos no feriadão foi a gota d?água. Cerca de 500 famílias saíram das favelas Sururu de Capote, Mundaú, Torre e Muvuca para invadir as casas construídas do conjunto. Cansados de esperar pela burocracia do Estado, os moradores decidiram antecipar a mudança para o residencial por conta própria. Grande parte está devidamente cadastrada e com toda a documentação para receber sua casa. O problema maior é que muitas pessoas que não têm cadastro, ao saber da invasão iniciada na sexta à noite, também resolveu ?pegar? a sua casa. Portas foram arrombadas, janelas quebradas e a situação fugiu do controle. Moradores de conjuntos habitacionais do Vergel e da região do Benedito Bentes aproveitam a onda de ocupação para tentar conquistar a sua casa na marra. Não é possível saber o número exato de casas invadidas. Alguns ocupantes falam em cerca de 1.500 famílias na área, mas seguranças da empresa de vigilância que atuam no conjunto estimam cerca de 400 a 500 residências ocupadas. Um dos líderes do movimento, Anderson Nunes, explica que as famílias estavam revoltadas com a demora para receber as casas, enquanto viviam em péssimas condições nos barracos das favelas. ?A gente vai lutar para ter um lugar digno para morar, e Aquele lá de cima vai ajudar a gente. O pessoal sem cadastro vai se unir aos com cadastro e ninguém tira mais a gente daqui?, diz Anderson Nunes.