Cidades
Remunera��o de cortador de cana � discutida
Se quiser ganhar mais que o salário base, que é de R$ 746, o trabalhador da agroindústria canavieira precisa dobrar a produção, o que exige ainda mais esforço físico, e o mais grave, sem seguir os intervalos determinados. Cada tonelada a mais de cana rende R$ 6 ao trabalhador que, para aumentar o salário em R$ 300, por exemplo, terá que cortar 50 toneladas. Essa é uma realidade que o Ministério Público do Trabalho (MPT/AL) avalia como penosa. Por isso, numa audiência pública realizada ontem, em sua sede, no bairro de Jatiúca, a instituição propôs a criação de uma comissão para avaliar as consequências do pagamento por produção no corte de cana, e para rediscutir essa forma de remuneração. Para o MPT, a forma atual de produção prejudica severamente a saúde e segurança no local de trabalho. A realidade do assalariado rural já é vista como principal causa da assustadora quantidade de acidentes no setor sucroalcooleiro, campeão em acidentes de trabalho em Alagoas. Na audiência de ontem, procuradores, representantes da classe trabalhadora, de empresas de açúcar e álcool e da sociedade civil discutiram o pagamento por produção e os possíveis danos causados que essa forma de remuneração tem provocado. ?É inadmissível a forma que o trabalhador utiliza para aumentar seu ganho. Infelizmente não temos muitas alternativas de trabalho, e queremos lutar para que o empregador cuide da saúde do seu trabalhador?, afirmou a procuradora-chefe do MPT/AL, Virginia Ferreira.