Cidades
Fam�lias enfrentam abandono
Ter uma boa casa para morar, ver os filhos estudando. Ter um lugar para aproveitar o dia, com segurança e espaços de lazer. Ver a rua sempre limpa e ter como cuidar da saúde de sua família...eis o sonho de dona Rosenilda, que há cerca de um mês mudou-se da favela do Mundaú, no Dique Estrada, para o Conjunto Residencial José Aprígio Vilela, no bairro do Benedito Bentes, em Maceió. Mas o sonho da dona de casa começou a se desmanchar com as dificuldades enfrentadas após a mudança. Cansada de esperar a entrega da casa, Rosenilda, que morava na orla lagunar e foi inscrita em um cadastro feito pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), em 2012, decidiu tomar posse da residência antes mesmo de ela ser entregue oficialmente. Mas ao chegar no residencial, encontrou uma casa sem energia elétrica, lixo acumulado na esquina da rua, serviço de transporte deficiente e o pior de tudo: sem escola nem posto de saúde. ?Moro com meus dois filhos e quando decidimos vir para a casa, mesmo antes de ela ser entregue, sabíamos que seria melhor ter um teto, do que viver mais um dia num barraco caindo aos pedaços. Mas confesso que pensei que a vida seria melhor aqui. Logo quando cheguei, os problemas começaram a aparecer. Percebi que não tinha instalação elétrica dentro e fora da casa, e a dor de cabeça começou?, conta a dona de casa, que para sair do breu precisou contratar um eletricista e gastar cerca de R$ 600,00, dividido em quatro parcelas no cartão de crédito de uma amiga. Os filhos de Rosenilda cursam o 9º ano do Ensino Fundamental, em escolas situadas no bairro do Vergel do Lago e como a mãe não conseguiu transferi-los para o Benedito Bentes, eles continuam frequentando as mesmas unidades de ensino. Numa peregrinação diária, os filhos de Rosenilda precisam pegar o ônibus que passa no conjunto e vai o terminal de ônibus do bairro até as 10h30, para tentar chegar à escola por volta das 13h. ?Se eles se atrasarem ou perderem o único ônibus que faz a linha Benedito Bentes/Trapiche, eles voltam para casa porque sabem que não vão conseguir chegar a tempo. São três horas de ônibus todos os dias?, relata a dona de casa.