Cidades
Falta de alimentos e amea�as: problemas nos assentamentos
A transformação de terras improdutivas em áreas geradoras de riquezas, através do cultivo de diversas monoculturas. Este é um dos propósitos da Reforma Agrária, um dos problemas socioeconômicos que mais influencia o desenvolvimento do País. Em Alagoas, esta luta não é uma questão isolada e envolve diversos setores, como a igreja, associações e população em geral. São cinco acampamentos, distribuídos em quase todo o interior do Estado, e quatro assentamentos, devidamente regularizados, localizados em Maragogi. Estas nove localidades são habitadas por cerca de 2.000 famílias. Para uma das coordenadoras nacionais do Movimento dos Trabalhadores em Alagoas, Ivandeje Maria de Souza, os principais obstáculos, além do problema da falta de alimentos, é a ameaça à vida dos integrantes dos movimentos e a luta contra o crime organizado, setor ?preocupado? com a presença dos grupos em suas propriedades e responsável, na maioria das vezes, pelos casos de violência contra os trabalhadores. ?Lutamos contra o grupo que domina a vida política e econômica do Estado. Sabemos que estamos indo de encontro com os poderosos e que muitas pessoas já desistiram de enfrentá-los, mas mesmo com todas as ameaças que os trabalhadores recebem, não abandonaremos a causa?, afirma a integrante do movimento, envolvida com a luta pela Reforma Agrária desde 95. Além da deficiência estrutural dos acampamentos, os trabalhadores ainda enfrentam os problemas comuns a mais de 50% da população brasileira que vive em condições precárias de sobrevivência, a falta de assistência médica e educacional. ?Quando ocupamos as terras, as prefeituras raramente ajudam e não recebemos nenhum tipo de assistência. As questões envolvendo saúde e educação são desafios. O nível de alfabetização é muito baixo e as crianças são as mais prejudicadas com a falta de ensino?, analisa Ivandeje. Para modificar esta realidade, estão sendo criadas equipes que ficarão responsáveis pela educação e saúde dos acampamentos trabalhando como agentes voluntários, utilizando recursos médicos e de ensino alternativos, disponíveis e adaptados à realidade dos moradores dos acampamentos.