Cidades
Maioria das fam�lias deixaram o campo
Entre as 514.163 famílias que o Ministério do Desenvolvimento Agrário diz ter beneficiado, apenas 15.848 receberam os títulos definitivos de seus lotes no período de 95 a 2000, sendo que outras 87.515 famílias abandonaram ou foram expulsas de suas terras, de acordo com uma auditoria especial feita pelo ministério. A auditoria constatou, ainda, que o governo contou como assentados pelo programa Banco da Terra para atingir as metas do programa em 2000 e 2001. Mas as famílias incluídas na lista de assentadas nem sequer haviam tido acesso ao financeiro bancário. Além do mais, o tempo médio entre o assentamento de um sem-terra e a titulação é de três anos, mas levando-se em conta essa média, a maioria das 287.994 famílias que o governo anunciou ter assentado de 95 a 98 já deveria ter em mãos o título definitivo do lote. Sem o documento, o trabalhador corre o risco de perder a posse da terra na Justiça para os antigos proprietários, o que pode ocorrer em Alagoas, já que boa parte dos proprietários ainda resiste em entregar as propriedades, apesar de serem improdutivas. Os movimentos dos sem-terra não souberam informar quantas áreas estão sendo alvo de disputa judicial em Alagoas. Ao divulgar a titulação de apenas 15.848 famílias nos últimos sete anos, a auditoria também coloca em xeque o número dos balanços da reforma agrária de 2000 a 2001. Em fevereiro, o ministério anunciou ter titulado 127.611 famílias no biênio, número 705% superior ao apurado pela auditoria. Segundo o governo, foram 65.715 famílias em 2000 e 61.896 em 2001. Titulação Se o processo de titulação anda emperrado, imagine o de desapropriação de terra por todo o País. Em Alagoas, os três movimentos reivindicam atualmente a desapropriação da Fazenda São Pedro, em Atalaia, onde foi assassinado o trabalhador rural José Elenilson. Também querem a desapropriação da Fazenda Belo Horizonte, conhecida como ?Onça?, em Novo Lino, de propriedade do ex-governador Geraldo Bulhões e onde foi assassinado o trabalhador Otávio Amaro, e a Fazenda Flor do Bosque, em Messias, onde ocorreu o envenenamento da lavoura e de cacimbas. Há alguns meses, o Incra anunciou a liberação de recursos para emissão de TDAs (Títulos da Dívida Agrária) para aquisição das propriedades Prazeres e Caldeirões, em Flexeiras, Papuan e São Luiz, em São Luiz do Quitunde, e Paraíso Agrícola, em Matriz do Camaragibe.