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Fogo muda a paisagem da Grande Macei�
FÁTIMA ALMEIDA O fogo está mudando a paisagem da Grande Maceió. Ao invés do verde que caracteriza a região litorânea, a paisagem se veste de marrom, de galhos secos e grandes áreas desmatadas, lembrando o Sertão nos períodos de longa estiagem. As viaturas do Corpo de Bombeiros parecem se multiplicar cruzando as ruas da cidade em todos os sentidos, várias vezes por dia. As sirenes ligadas pedem passagem; quase sempre é sinal de que, em algum lugar, alguém pediu socorro: o fogo está se alastrando. Não há um só dia em que o Corpo de Bombeiros não seja acionado diversas vezes para apagar incêndios de vegetação na Grande Maceió. Levantamentos da corporação mostram que o número de incêndios neste início de verão é pelo menos três vezes maior do que o registrado no mesmo período no ano passado. Entre novembro e dezembro de 2001 os bombeiros registraram 42 ocorrências. Este ano, de novembro para cá, já foram 130 ocorrências. E dezembro está apenas na metade. A área mais crítica é o Litoral Sul, entre Maceió e a Praia do Francês, mas o Litoral Norte, os bairros periféricos da capital e os municípios circunvizinhos em direção à Zona da Mata também não escapam. Domingo passado, um incêndio destruiu parte da vegetação da área do Catolé. Na segunda-feira, os bombeiros foram chamados duas vezes para apagar fogo na Santa Amélia. O percurso das viaturas para a região do Francês é quase diário. As marcas na vegetação mostram os estragos. Na AL-101 Sul, entre o PM Boxe da entrada do Pólo Cloroquímico e o Trevo do Francês não é mais possível encontrar uma área de 10 metros corridos que não tenha sido ainda atingida pelo fogo. Nem os manguezais da Área de Proteção Ambiental, na Ilha de Santa Rita, logo após a Ponte Divaldo Suruagy, escaparam. Lá, o fogo também andou queimando bem em cima de onde passam as tubulações subterrâneas da Petrobras, Algás e Braskem. Causas Embora considerando que o estrago é grande, as causas dos incêndios constantes na vegetação não são investigadas. Segundo o setor de comunicação do Corpo de Bombeiros, isso só é feito quando há uma solicitação, ou quando há vítimas, o que raramente acontece. Mesmo assim, sabe-se que as causas vão desde uma ponta de cigarro, combustão espontânea decorrente da temperatura elevada, queimadas para limpar a área para construção ou plantação, ou simples vandalismo. Em quase todas as hipóteses o homem aparece como agente causador. ?Às vezes a pessoa nem pensa que o fogo pode se alastrar. Risca um fósforo num montinho de mato seco e quando menos espera, perde o controle?, diz o tenente Cláudio, do Corpo de Bombeiros. Nas comunidades, as hipóteses também são muitas. ?É pura maldade de gente que não tem o que fazer?, diz Manoel Alexandre, que mora na região da Barra Nova. ?Acho que nessa época, como tem muito caju e o pessoal vende na pista, algumas pessoas ateiam fogo aos cajueiros dos outros para diminuir a concorrência?, arrisca Maria do Ó, que reside no Sítio Campo Grande, próximo ao Trevo do Francês. Henrique Ferreira, gerente do Posto Texaco, localizado entre a Massagueira e o Francês, acha que o problema está no gengibre, um capim que seca por baixo e é de facílima combustão. ?Basta o sol esquentar, ele pode pegar fogo?, alerta.