Cidades
Situa��o compromete ensino
Com medo do futuro. Assim se define a professora de inglês da rede estadual Maria Rosa Bernardo, que tem 53 anos dos quais 23 dedicou à sala de aula. E ela tem motivos para se sentir assim. A rotina de escrever no quadro-negro e apagar em seguida fez com que ela desenvolvesse a Síndrome do Túnel do Carpo, que pode levar a dormência, formigamento, fraqueza ou danos musculares na mão e nos dedos. Desde 2009, a professora foi obrigada a se afastar do ensino para se tratar. A desvalorização é outro ponto destacado por ela que faz com que muitos desistam da profissão ou se desmotivem ao longo do caminho. ?Hoje temos falta de professores, os que têm precisam assumir muitas horas-aula para reforçar a renda, o que está comprometendo a qualidade da educação que é oferecida aos alunos. Não dispomos de valorização, de capacitação adequada e de estrutura de trabalho. Até que o material didático nas escolas, sobretudo na que eu estou, no Benedito Bentes, melhorou consideravelmente?, relata. Mesmo assim, a professora lamenta o fato de ter que se afastar das salas de aula para tratamento da saúde e evitar a perda da sensibilidade das mãos. ?Peguei a doença no trabalho mesmo. Antes, não tínhamos livros didáticos para o ensino da língua inglesa, o que me obrigava a passar o conteúdo inteiro aos alunos no quadro-negro. Era uma média de doze horas diárias de aula e escrevendo?, conta, acrescentando que aguarda autorização para fazer a segunda cirurgia para aliviar os sintomas da doença.