Cidades
Voc� est� sendo filmado
No momento em que você lê este jornal, é provável que esteja sendo filmado, ou pelo menos que tenha sido, em algum momento do dia. Talvez as lentes não tenham captado a sua imagem, mas certamente captaram as do seu carro, casa ou até mesmo do ônibus que você usa, todos os dias, para ir ao trabalho. As câmeras estão espalhadas por todos os lugares. Na entrada do prédio, no interior das lojas, nas ruas. Silenciosas, elas registram o movimento das pessoas o tempo inteiro. Sem chamar a atenção, passam despercebidas e, muitas vezes, são ignoradas. Resultado do avanço tecnológico, elas transformaram a rotina dos lugares. As pessoas são vigiadas 24 horas por dia. Não é coisa de programa de televisão. É vida real. Parece uma realidade paralela, mas a nossa imagem está sendo captada e vista por pessoas que nem sabemos que existem. Uma ferramenta contra o crime. Um auxílio para a polícia ao longo de uma investigação. Além das filmadoras espalhadas pelas ruas, as pessoas também se transformaram em vigilantes modernos e, com o uso do aparelho celular, disseminam a cultura do ?filma tudo e coloca na internet?. Mais segurança? Invasão de privacidade? Qual o limite para este artifício moderno? O sociólogo Jorge Vieira afirma que estes mecanismos não são usados à toa. ?As ciências e as tecnologias trouxeram soluções, mas ao mesmo tempo surgiram problemas. Enquanto uma câmera filma um bandido ao praticar um crime, esta mesma lente invade a privacidade de uma pessoa ao registrá-la em um momento mais íntimo?, diz o professor.