Cidades
O drama dos hospitais filantr�picos
O difícil equilíbrio entre receita e despesas é o que tem dificultado a saúde financeira de 83% das 1.700 Santas Casas espalhadas pelo País. Os números impressionantes foram revelados na semana passada durante reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo. Por causa da defasagem dos preços repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para procedimentos de urgência e emergência, o caos é ainda maior para quem só atua com baixa e média complexidades, pois é onde é registrado o maior número de atendimentos. Os valores estão congelados há 12 anos. O resultado é uma conta que ao final de cada mês não fecha. O drama é o mesmo para outros hospitais filantrópicos que também dependem de repasses do Ministério da Saúde, do estado e do município. Em geral, todos têm débitos oriundos de dívidas com fornecedores, passivos trabalhistas e impostos. Com isso, a cada ano, sempre fica restos a pagar. Com a experiência de quem milita e trabalha na área há mais de 30 anos, o médico Lauro Bandeira, diretor administrativo do Hospital Sanatório, diz que é necessário que seja repensada a distribuição dos recursos. ?O cobertor é curto e a conta não fecha. O resultado é que a maioria sofre para se manter e garantir mo atendimento. O MS não melhora os incentivos. São 12 anos sem a tabela de custos e serviços ser atualizada?, revelou Bandeira. Ele revelou, ainda, que, no caso do Sanatório, o déficit geral global, a cada mês, é de R$ 1 milhão. Já o déficit acumulado, atualmente, chega a R$ 25 milhões. ?Entretanto, contamos ainda com os custos de todas as despesas operacionais, o pagamento dos passivos e o repasse da folha de pagamento?, explicou Lauro. Por determinação legal, todos os hospitais filantrópicos têm de sobreviver com 60% de atendimento SUS e 40% livres para convênios e atendimento particular. De acordo com os números de atendimentos prestados em 2012, 84% foram atendimentos pelo SUS, de baixa e média complexidades. ?Trabalhamos para mudar o quadro, garantindo atendimento de média e alta complexidade, que garantem repasses um pouco maiores?, aponta o diretor administrativo.