Cidades
Sistema carcer�rio alagoano entra em colapso
O sistema carcerário se propõe a sanear a criminalidade, mas está entupido. A ressocialização não passa: fica presa, apodrece ou se perde na tubulação que leva à estação de tratamento da Justiça. A superlotação dos presídios e cadeias de Alagoas ultrapassa o limite do suportável. A pressão abre fendas, o Estado trava em prisão de ventre e se afoba para remendar manilhas. A cada buraco fechado, um novo se rompe em outro lugar. Com a sobrecarga, tudo pode explodir, lançando coliformes ao espaço e uma pergunta no ar: quem vai entrar pelo cano? A Casa de Custódia da Polícia Civil é um exemplo a desgotar. Criada há quatro anos, no Jacintinho, para manter até 29 presos, no prazo máximo de 48 horas, hoje a ocupação média chega a 85 suspeitos. Alguns passam até seis meses espremidos nas celas, sem banho de sol ou qualquer atividade, enquanto não sai a decisão de ?subir? para um presídio ou de aguardar o julgamento em liberdade. Em meio a diabruras flagradas em todos os presídios alagoanos, a cadeia provisória do Jacintinho é o local mais temido pela população carcerária. ?Tem onze, doze presos apertados num xadrez, sem fazer nada, não tem rádio, não tem TV, não tem visita. Eles perdem o controle, reclamam do aperto, da falta de sol, tem muitos que adoecem ou surtam mesmo, por ansiedade, pânico ou abstinência de drogas?, informa uma fonte que trabalha no local. Esta semana, um detento foi internado no hospital psiquiátrico Portugal Ramalho duas vezes porque estava tentando se matar. O colapso da Casa de Custódia é confirmado por vários policiais ouvidos pela Gazeta. ?O que acontece com um monte de presos espremidos numa cela apertada? Eles vão brigar. Aqui sempre tem uma ou duas brigas por semana. Já teve preso aí que quebrou a cara do outro, que saiu sangrando para o pronto-socorro?, diz um agente, com expressão de tédio no rosto. E ai de quem se atreva a entrar na cela para apartar. Corre o risco de ser morto ou rendido como refém.