Cidades
Historiadora prega reflex�o sobre a data
Para a professora-doutora Ana Paula Palamartchuk, coordenadora do curso de licenciatura em História pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a data deveria ter uma concepção diferente dos antigos desbravadores da Independência. ?A tendência das pessoas, quando se trata da Independência do Brasil ou ainda de outras datas simbólicas da nação, é reiterar uma concepção unívoca e harmoniosa da nossa história ? sempre cheia de grandes feitos e de grandes heróis. Talvez uma das tarefas dos historiadores seja exatamente desmontar essa visão, essa memória construída pelos ?vencedores? e lembrar a essa mesma nação sua dimensão conflituosa da memória e da experiência social, e que essa história que permite outras leituras já que é feita por sujeitos diversos?, opina a professora. Para ela, a celebração das chamadas datas cívicas, tende a ser repostas na forma de uma memória reconstruída a partir do presente. ?Os grupos sociais respondem a essa lógica do lugar social em que estão. Como essa memória é oficializada por grupos sociais vencedores, os vencidos têm um sentimento de não pertencimento nessa mesma história. Em um momento político importante, as eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados, a celebração do 7 de setembro deve estar voltada para a reflexão sobre a cidadania, na qual poderemos, aí sim, resgatar o sentido da Independência do Brasil, que nasce monárquico e se consolida republicano, num longo processo de construção democrática?, completa.