Cidades
Protesto denuncia caos no PAM
O Posto de Atendimento Médico (PAM) do Salgadinho é uma brincadeira de mau gosto, uma palhaçada sem graça que faz milhares de usuários chorarem todos os dias. Há quase dois anos, muitos profissionais chegam para trabalhar e passam o expediente inteiro sem fazer nada porque faltam equipamentos, material, medicamentos e receituários. Enquanto isso, milhares de pacientes de bairros afastados da periferia e de municípios de todo o Estado agonizam sem atendimento e são obrigados a voltar para casa sem fazer um reles exame ou iniciar o tratamento que pode lhe salvar a vida. Exauridos por se sentirem inúteis, os funcionários realizaram um protesto ontem para denunciar que querem trabalhar e honrar os salários que recebem todo mês. Caos é apelido. O Centro Cirúrgico está fechado há cinco anos. Só o Laboratório Clínico (Laclin) desativado há meses deixa de realizar cerca de mil exames por dia (de sangue, urina e fezes). Todos os corredores e salas estão vazios em locais como o bloco L, onde deveria funcionar um Centro de Diagnóstico gigantesco. Os aparelhos de raio-x desativados poderiam realizar quarenta exames por dia. Outros 60 pacientes por dia deixam de fazer eletrocardiograma. Audiometria não funciona. Poderia fazer trinta exames por dia. Mamografia também está inoperante e diariamente impede vinte mulheres de se prevenir contra o câncer. Ultrassonografia também está suspensa. As sessões de acupuntura deveriam ser vinte por dia. Há meses, não há nenhuma. No Bloco G, de Reabilitação, cerca de 10 a 15 fisioterapeutas estão ociosos por falta de condições de trabalho. As portas estão fechadas, e o corredor de entrada é um retrato da lamúria em que se tornou a saúde pública de Maceió. Parte do teto está desabando há tanto tempo que a poeira tomou conta do forro de PVC e folhas das árvores trazidas de fora pelo vento se acumulam no chão.