Cidades
Em Matriz, escola inacaba � ocupada por sem-teto
Matriz do Camaragibe ? Duas escolas modulares, instaladas com recursos do Programa da Reconstrução do governo do Estado, em benefício das vítimas das enchentes de 2010, permanecem inacabadas e ocupadas por famílias sem-teto há um ano e sete meses em Matriz do Camaragibe, região Norte do estado. Assim como as unidades, o esqueleto de uma quadra coberta jaz em meio ao mato. O equipamento integra o conjunto de obras que já deveria ter sido concluído. As escolas ficam numa área de difícil acesso nos fundos do Conjunto Cícero Cavalcante, um dos mais violentos de Matriz do Camaragibe. Sem pavimentação, chegar às unidades de ensino, só enfiando o pé na lama. Os veículos não conseguem vencer a estrada tortuosa e escorregadia. Onze famílias ocuparam as duas escolas em fevereiro de 2013, depois que o município se negou a receber as unidades desprovidas de infraestrutura básica. Até hoje, não há ali água encanada nem energia elétrica. Os imóveis se deterioram sem a devida manutenção. O pátio central serve até de garagem para um combalido veículo de pneus murchos, assim como a educação. ?A gente só está aqui porque não tem onde morar, nem condições de pagar aluguel?, alegou a sem-teto Maria Adriana da Silva, 40 anos, que ocupa uma das seis salas de aula da Escola de Educação Infantil Doutora Luciana Cavalcante de Mello Sampaio. As placas foram arrancadas e a identificação de uma das unidades só se tornou possível porque a Gazeta possui fotos de arquivo, tiradas no dia da invasão. ?A dificuldade maior aqui é a falta d?água e o local que não é adequado?, reconhece a sem-teto Maria de Fátima da Silva, que mora numa das salas de aula invadidas, com o marido e três filhos. A energia elétrica é tirada por meio de uma gambiarra conectada à rede externa.