Cidades
Macei� pode sofrer colapso no abastecimento d�gua
BLEINE OLIVEIRA O maceioense pode sair da queixa de hoje para uma situação de desespero, se forem confirmadas as previsões de técnicos e ambientalistas de que a capital alagoana vai ficar totalmente sem água dentro de dois anos. A escassez total será o resultado mais imediato da falta de investimentos no sistema Catolé/Cardoso, praticamente inviabilizado pelo desmatamento das nascentes, do assoreamento e da poluição provocada por agrotóxicos aplicados nas plantações de cana-de-açúcar e por esgotos sanitários. Quem aposta na água dos lençóis subterrâneos para sobreviver ao caos anunciado por especialistas pode buscar outra alternativa. Estudo realizado pelo professor Manoel Maia Nobre Filho, do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), mostra que o sistema aqüífero (lençol freático) de Maceió já está sofrendo alterações significativas em termos de qualidade e quantidade de água. O estudo dele concluiu que ?cerca de 82% do suprimento de água em Maceió são extraídos dos aqüíferos?. Não é uma projeção alarmista ou catastrófica prever que haverá desabastecimento total em dois anos. A situação é absolutamente de risco, garantem os estudiosos do assunto. Para discuti-lo, a Federação das Associações Comunitárias de Maceió (Facom) promoveu, no final do mês passado, uma mesa-redonda sobre recursos hídricos. Exposição Do encontro participaram o professor Manoel Maia Nobre, que fez ampla exposição sobre o tema, e os secretários de Estado de Recursos Hídricos e Infra-Estrutura, dirigentes da Companhia de Abastecimento D?Água e Saneamento de Alagoas (Casal), de órgãos de meio-ambiente e do Ministério Público Estadual. Do Clima Bom ao Benedito Bentes, do Vergel do Lago a Ipioca, do Rio Novo ao Trapiche, não há um só bairro em Maceió onde seus habitantes não reclamem de problemas no abastecimento de água. Os programas de emissoras de rádio são o canal pelo qual a população manifesta insatisfação com um sistema antigo e deficitário. Nas áreas mais pobres é cada vez mais difícil dispor de dinheiro para garantir o abastecimento através de carros-pipa. Esses, aliás, são o único meio de a água chegar a 80% dos chamados bairros nobres da capital. Com ou sem dinheiro, a realidade é que o maceioense corre o risco de enfrentar a falta d?água em todos os bairros, se não forem adotadas as providências sugeridas para as deficiências que o sistema de abastecimento da cidade apresenta. Os participantes da mesa-redonda promovida pela Facom apontam as deficiências do sistema, mas ao mesmo tempo apresentam soluções que podem impedir o colapso.