Cidades
Projeto de aproveitamento do Rio Pratagy � um desperd�cio de dinheiro p�blico
O projeto de aproveitamento das águas do Rio Pratagy, elaborado em 1982, é uma das maiores demonstrações de desperdício de dinheiro público. Nem mesmo a Companhia de Abastecimento e Saneamento de Alagoas (Casal) define com exatidão o volume de recursos aplicados no Projeto Pratagy ao longo desses 20 anos. ?O que se sabe hoje é que aquele manancial não tem mais capacidade para atender aos objetivos do projeto, que está praticamente abandonado?, diz o coordenador administrativo e de planejamento da Facom, jornalista Reinaldo Cabral. No documento denominado ?Breve histórico do Abastecimento de água em Maceió?, o professor Manoel Maia Nobre revela que em 1987, cerca de 75% da primeira etapa do projeto Pratagy, que abasteceria os bairros do Tabuleiro Novo e Velho, incluindo os conjuntos habitacionais já existentes na época, estavam concluídos. O sistema, segundo previsão da época, abasteceria nessa primeira etapa uma população de 380 mil habitantes. A segunda fase garantiria o abastecimento a 770 mil habitantes. ?É claro que, na atual situação, a vazão do Rio Pratagy não deve mais atender aqueles números?, afirma Maia Nobre. Infiltração Ele revela que a diminuição das taxas de infiltração, resultado da urbanização e impermeabilização do solo, e a redução da descarga de águas subterrâneas explicam a situação atual. O fato é que, no final da década de 80, quase tudo que havia sido investido no projeto Pratagy estava abandonado. O professor reclama ainda da ?utilização intensiva e não controlada dos mananciais subterrâneos de Maceió, sem o devido tratamento técnico e sistêmico que merece a questão?. O Pratagy foi apresentado como a solução para a crise já identificada no Sistema Catolé, construído nos fins da década de 40, por técnicos do Serviço de Águas e Esgotos de Maceió (Saem). ?Pelo que vivemos hoje, está claro que o projeto transformou-se num exemplo inegável de desperdício de dinheiro público?, afirma Reinaldo Cabral, anunciando que vai mobilizar a população para exigir do governo soluções que evitem o desabastecimento previsto para Maceió daqui a dois anos.