Cidades
Casal admite que a situa��o � grave
O presidente da Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água de Alagoas (Casal), engenheiro João José Beltrão, admite que a situação é grave e que há realmente o risco de desabastecimento em Maceió. Ele só não sabe definir se isso vai ocorrer em dois anos, mas entende que, se não forem adotadas providências urgentes, a capital enfrentará uma crise sem precedentes. A Casal, revela João José, está usando intensamente os aqüíferos (água do lençol freático), uma reserva que só deveria ser utilizada no futuro distante. Mas mesmo os poços profundos abertos pela Companhia não têm sido suficientes para atender ao crescimento da população, hoje superior a 800 mil habitantes. O volume da água subterrânea em Maceió, alerta o presidente da Casal, está diminuindo em conseqüência da expansão urbana desordenada e da construção de vias asfaltadas, que impedem a infiltração da água na terra. Em conseqüência, os poços abertos pela Casal estão secando. Na parte baixa da cidade, por exemplo, já não há como usar a água de poços, pois esses estão inviabilizados pela infiltração de água do mar, a chamada cunha alcalina. ?Estamos buscando alternativas na parte alta para garantir água aos bairros como Jatiúca, Ponta da Terra, Ponta Verde, Pajuçara?, afirma João José Beltrão. O sistema de abastecimento deveria estar usando água de superfície, mas essa está cada vez mais escassa em conseqüência do desmatamento das margens de rios, da ganância imobiliária e outros problemas ambientais. A solução, aponta João José, é o governo investir na execução de obras como o Projeto Pratagy, que precisa ser adequado à nova realidade populacional de Maceió. ?O Pratagy deveria estar funcionando a décadas. Hoje está superado, mas o que foi executado pode e será aproveitado?, afirma ele, acrescentando que tudo depende de recursos. O projeto, lamenta o presidente da Casal, não tem sido priorizado pela bancada federal e, em conseqüência, tem recebido pouquíssima verba através das emendas ao Orçamento. ?São migalhas, insuficientes para resolver um problema tão grave?, afirma. Outra medida fundamental para ajudar a evitar o caos no abastecimento de água é a população se conscientizar de que é preciso eliminar definitivamente o desperdício. ?Sem ajuda da população, o problema se agrava e podemos chegar ao que prevê a ONU: em breve cada pessoa terá direito a um copo de água a cada oito dias?, alerta João José Beltrão.