Cidades
O barbeiro e a profiss�o que resiste ao tempo
Pente e tesoura nas mãos trabalhando em harmonia. Uma cadeira confortável convida o corpo a ficar imóvel e, aos poucos, os primeiros fios começam a cobrir o chão. O tempo e a experiência pesam sobre as mãos do velho barbeiro e, ainda assim, seus movimentos são suaves. Não há pressa. Há apenas olhos concentrados e atentos para não deixar linhas tortas, diante da cabeleira a ser cortada. Para o cliente, um simples corte de cabelo. Para o barbeiro, o ofício de uma vida. Especulações não faltam sobre as profissões que poderão não existir em breve. A falta de novos aprendizes para dar continuidade ao trabalho de barbeiros, sapateiros, paneleiros e alguns outros ofícios causa preocupação nos profissionais que ainda permanecem no ramo. A profissão é uma das mais tradicionais do mundo, mas, com o passar do tempo, poucas são as barbearias que ainda abrem as portas. José Marques Filho tem 86 anos e é o dono de mãos precisas, de movimentos suaves. Questionado sobre o tempo de profissão, ele responde com a certeza de quem sabe o que faz. ?Barbeiro desde sempre?, recordando a época em que os muros das barbearias do interior não existiam. Cortava-se o cabelo embaixo da sombra das árvores. Para os clientes e amigos, o barbeiro Zezé é o melhor do Centro da cidade e um dos poucos que domina a arte da navalha. Há mais de 40 anos, a barbearia do Zezé funciona no bairro. Com um salão pequeno, porta de madeira e algumas cadeiras, a clientela se faz presente na barbearia de segunda a sábado, durante todo o dia. E quando a barba e o cabelo estão alinhados, vale a pena passar pela calçada da barbearia só para cumprimentar o Zezé, que responde com bom humor às brincadeiras ditadas pelas brechas da porta.