Cidades
Um of�cio passado de pai para filho
Apesar da tradição, as antigas barbearias vêm perdendo espaço para os modernos salões de beleza. Os próprios barbeiros têm percebido isso. Muita gente também aderiu aos hábitos da vida moderna e passou a usar os aparelhos elétricos de barbear, as espumas prontas para o uso e a variada oferta de loções. Nessa transição, restam os fregueses mais fiéis. Cícero de Oliveira, de 58 anos, aprendeu o ofício com o pai. ?Papai também foi barbeiro e eu sempre o observava trabalhando. Um dia, com 17 anos, cheguei em casa com calos nas mãos de tanto trabalhar no pesado. Reclamei e meu pai me perguntou se eu queria ser barbeiro como ele. Avisou que eu não ficaria rico, mas também não passaria fome, pois não faltaria barba para fazer e cabelo para cortar?, contou, sorrindo. Cícero viveu uma época em que os barbeiros aprendiam o trabalho na prática. Quando começou a cortar cabelo, deixou os meninos da vizinhança com a marca de um barbeiro em treinamento. ?Assim que meu pai permitiu que eu ajudasse na barbearia dele, as mães dos meninos o procuraram para reclamar dos ?caminhos de rato? que eu deixava na cabeça dos garotos. Meu pai dizia que eu estava aprendendo e sempre dava um jeito no cabelo dos meninos?, relatou. Sanfoneiro nas horas vagas, o barbeiro Cícero já atende na barbearia do Zezé há mais de 30 anos. Afirma que não ganha muito dinheiro, mas é o suficiente para viver e cuidar da família. Cobrando R$ 20,00 pelo corte de cabelo e R$ 15,00 por uma barba benfeita, também já construiu uma clientela de militares, advogados, médicos, engenheiros, empresários e dos velhos amigos aposentados.