Cidades
Tratamento contra o v�cio requer perseveran�a
A psicóloga Lara Lima enfatiza que o tratamento parte de muito trabalho e perseverança, sendo fundamental o apoio da família. ?O desejo de deixar as drogas tem que partir do próprio usuário. Depois os profissionais têm que enxergar a pessoa que existe por trás das drogas, e explicar que ela está sendo tratada que é a necessidade que a consome, não ela que consome a necessidade. Também é de fundamental importância que a família procure ajuda para saber como lidar com a pessoa, normalmente a sociedade tende a marginalizar um usuário de drogas. Sem o apoio da família o tratamento pode sair prejudicado?, alerta a psicóloga. E foi exatamente o desejo de mudar de vida que fez o ex-usuário de drogas José Anderson da Silva criar, em 2004, a Comunidade Católica Nova Jericó, localizada no município de Marechal Deodoro. Irmão e filho de traficantes, Anderson entrou no mundo das drogas junto à família logo cedo, tendo começado o uso de entorpecentes com apenas 12 anos. ?Foram cinco anos usando drogas. Aos 17, eu consegui perceber a angústia da minha mãe, a única na família que não era usuária. Quando eu finalmente consegui me desvencilhar desse mundo, comecei a organizar palestras na Vila Brejal, onde eu morava. No começo eram poucas pessoas que frequentavam as reuniões, depois o número foi crescendo consideravelmente. Foi aí que percebi que muitos deles queriam ficar, não queriam voltar para casa, então comecei a lutar para conseguir construir a nossa comunidade. Na época, não existia ajuda para dependentes químicos aqui no estado de Alagoas, quem quisesse se tratar, tinha de ir a outros estados, e ter muito dinheiro em caixa para pagar o tratamento. E a nossa proposta até hoje é de acolher a qualquer um que precise, de forma gratuita. Hoje, com a ajuda do Estado, nós possuímos dois estabelecimentos, e acolhemos diversas pessoas de forma inteiramente gratuita. Os internos têm acesso a psicólogos, nós os apresentamos à religião, mesmo que eles não queiram adotar a religião, eles podem ficar, desde que realizem as tarefas que são destinadas a eles. Quanto a mim, estou limpo há 15 anos, e graças a minha mãe, hoje posso ajudar outras famílias também?, conta Anderson. * Sob supervisão da editoria de Cidades.