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Torre de igreja desaba em Ipioca

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O descaso com o patrimônio histórico e arquitetônico deixou uma das mais antigas construções do estado em ruínas, caindo aos pedaços. Uma parte da torre da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Ipioca, despencou de uma altura de quase quinze metros para o meio da calçada e ainda atingiu um carro. Construída no período da invasão holandesa ao Brasil, há mais de 370 anos, a igreja foi interditada pela Defesa Civil em maio de 2013, recebeu recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas nunca foi restaurada. O pedaço da torre que pesa mais de 50 quilos desabou, por volta das 18h de domingo, e provocou um grande susto para os eleitores que ainda aguardavam para votar no colégio ao lado. ?Foi um estrondo grande e deixou um buraco no chão. Só não ocorreu uma tragédia porque estava chovendo, e não tinha ninguém lá embaixo. Se não, nesse horário, poderia ter matado alguém ou machucado muita gente?, afirma Maciel José dos Santos, um dos moradores do bairro que está revoltado. O líder comunitário Cícero da Silva critica tanto a falta de providências para resolver o risco iminente de um desabamento maior como o desleixo com a construção histórica. ?Esta igreja antes foi uma casa-forte, tudo indica que construída pelos holandeses, entre 1635 e 1640. Após a expulsão dos holandeses, os portugueses trouxeram as primeiras imagens de santos e remodelaram o forte para ser uma igreja?, explica Cícero, que não tem formação acadêmica, mas se considera um estudioso da História. Segundo ele, há indícios de que a igreja foi fundada em 1654. O prédio, tombado pelo patrimônio histórico desde 1982, é marcado por muitas histórias importantes para a memória do País, mas hoje abriga apenas ruínas, pombos mortos, morcegos e muita sujeira. ?Não tem uma providência dos órgãos competentes. A Defesa Civil veio aqui, interditou, colocou aquela faixa amarela, mas a faixa já saiu com o tempo e ficamos aqui, esperando, na dependência deles fazerem o cadastramento das famílias que deveriam ser retiradas antes da obra?, conta o líder comunitário.

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