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TOMBAMENTO N�O ADIANTA NADA, DIZ ARCEBISPO
Após meia década de atraso, o Pró-Memória garante que as obras de recuperação da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Ipioca, vão começar em regime emergencial neste mês de outubro. Segundo o órgão estadual, o contrato assinado com a empresa YRM terá R$ 137 mil de recursos próprios do Estado, sem incluir os tais R$ 300 mil que já geraram tanta celeuma. ?Será uma primeira etapa, com obras na coberta, reboco, madeiramento, elementos de beiral e parte elétrica?, explica a diretora do Pró-Memória, Ariana Moraes. A superintendente de Identidade e Diversidade Cultural da Secult, Adriana Guimarães, explica que o governo deve abrir nova licitação, com adaptações do projeto, para o uso dos R$ 300 mil da emenda parlamentar. Ao saber das críticas do arcebispo ao Estado, as representantes da Secult frisaram que o tombamento não retira a responsabilidade do proprietário pela manutenção do imóvel. ?Isso é patrimônio privado. O Ministério Público, inclusive, tem que acionar também a Igreja; ela se isenta de toda a responsabilidade?, afirma a diretora. ?Essa questão do reconhecimento do valor artístico e arquitetônico (que vem pelo tombamento) não pode ser confundida com a responsabilidade total?, completa a superintendente. No entanto, o arcebispo deixa claro que, ?do ponto de vista privado, não podemos fazer nada?, por causa da falta de recursos. Dom Antônio Muniz completa: ?o tombamento não adianta de nada porque eles tombam e não fazem aquilo que deveriam fazer?. Questionada se o diálogo com a Igreja está difícil, Adriana Guimarães responde: ?Bem, por esse comentário do arcebispo... Acho interessante só a gente ser chamado a essa responsabilidade, quando a propriedade é privada. Melhor do que interpretar o que ele diz é citar a lei de tombamento estadual, no artigo 21, inciso 3º, que deixa bem claro que não é responsabilidade nossa?. Para as representantes da Secult, o arcebispo teria que comprovar que a Igreja não tem recursos para fazer essas reformas. De todo modo, elas admitem: ?O nosso trabalho é, por meio do empenho do secretário Osvaldo Viegas, captar os recursos para fazer o restauro, e estamos fazendo isso?, diz Ariana, lembrando que, nos últimos anos, foram investidos R$ 1,1 milhão na Catedral de Maceió, R$ 750 mil na Catedral de Penedo e cerca de R$ 1 milhão na Cúria Metropolitana (prédio do Arcebispado, em frente à estação ferroviária do Centro).