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IGREJAS ENFRENTAM ABANDONO

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A incompetência é pior que o cupim. Rói a madeira do desleixo e faz desabar escombros de burocracia sobre as cabeças de boa-fé que tentam preservar o patrimônio cultural. Igrejas históricas caem aos pedaços em Alagoas, mas o Estado não consegue utilizar as fortunas enviadas pela União para restaurá-las. Essa semana, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) recebeu a notícia de que o governo estadual perdeu R$ 1 milhão que já tinha recebido para restaurar a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Coqueiro Seco. A má notícia caiu por terra quase ao mesmo tempo em que parte da torre da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Ipioca, sucumbiu. Pedaços de reboco se soltam da Igreja de Nossa Senhora do Livramento e são lançados pela gravidade em pleno calçadão do comércio. O sino imenso está amarrado por uma corda. Havia um empenho de R$ 785 mil para a Igreja de Bom Jesus dos Martírios, no Centro, mas o recurso não chegou. Em Ipioca, os R$ 300 mil enviados em 2009 para obras emergenciais nunca foram usados. Lonas ocupam o lugar de vitrais, nos Martírios, e azulejos portugueses se acabam na torre de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Rua do Sol. Conhecido por sua franqueza, o arcebispo metropolitano de Maceió, dom Antônio Muniz, resume a sua análise sobre a questão de forma bem direta: ?O problema é do Estado, que faz o tombamento e não cumpre com as suas obrigações?. De fato, é difícil entender como os recursos se esvaem. ?Tudo depende do Estado. Esse dinheiro que já chegou, já voltou, eu não sei onde está, não nos informaram nada. Para a Igreja de Ipioca, foram R$ 300 mil. Já veio também para a Igreja dos Martírios e voltou, segundo informações que chegaram. Aonde está? Eu não sei, pergunte a eles?, dispara o arcebispo, com toda serenidade peculiar ao seu tom de voz.

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