Cidades
MONUMENTOS SE MANT�M � BASE DE IMPROVISO
O ceguinho cantor bate lata e pandeiro em frente à Igreja do Livramento, alheio ao perigo sobre a sua cabeça e de quem passa pela esquina com a maior circulação de pedestres de Maceió. Os olhos não veem, mas o coração sente o abandono da construção do século XVIII. O sino de bronze com mais de 200 quilos está amarrado por uma corda para não cair de uma altura de dez metros. Mesmo sob os olhares das estátuas de Santa Helena e de Nossa Senhora do Livramento, na fachada, pedaços do reboco não param de cair. Além da perda da memória em pedaços, o descaso com as igrejas se tornou um caso para a Defesa Civil. Tanto que o órgão interditou a Igreja de Ipioca e chegou até a anunciar a evacuação de casas no seu entorno. Isso foi há 1 ano e meio, mas nada foi feito para salvar a estrutura erguida no tempo da invasão holandesa (na primeira metade do século XVII), que se tornou igreja em 1654, onde, séculos depois, foi batizado Floriano Peixoto, o ?marechal de ferro?, segundo presidente do Brasil. No domingo passado, em plena votação do 1º turno, uma parte da torre caiu na calçada. Só não atingiu nenhum eleitor porque chovia e todos estavam dentro da seção eleitoral. Os padres e comunidades paroquiais precisam improvisar para manter os monumentos históricos de pé. Na Igreja dos Martírios, foi preciso juntar as moedas da coleta com doações, rifas e quermesses para conseguir realizar reparos. O Pró-Memória, órgão da Secretaria Estadual de Cultura (Secult) responsável pelo patrimônio, estimou a reforma inicial em R$ 2 milhões, mas como não se tem ideia de quando chegará o primeiro centavo desses recursos, o padre Francisco Teixeira de Assunção toca a manutenção como se pode.