Cidades
Crian�as est�o expostas a desejos de consumo
Quando avisa à mãe o desejo de possuir uma das bonequinhas com feição de monstros evidenciadas por uma série da TV por assinatura, a pequena Gabriela Andrade, de três anos e meio, também confirma o êxito de muitas das estratégias publicitárias de incentivar o consumismo dentre os pequeninos. ?Quando assiste à TV, quer quase tudo o que vê?, confessa Jéssica Leite, 21 anos. O querer nem sempre é traduzido em aquisição, embora seus pais tenham condições de fazê-lo. Com carinho, eles explicam que não é possível concretizar a compra porque o valor do produto nem sempre se encaixa no orçamento familiar. Assim, acredita a universitária, a filhota vai se acostumando à possibilidade de possuir brinquedos de valor nem sempre elevado. ?Fui mãe muito nova. Quando criança, não tinha tudo o que queria. Aí, usava até caixa de sapato para construir casa para as bonecas que ganhava de minha mãe?, recorda Jéssica Leite. De tanto ouvir ?não?, na infância, Jéssica não pestaneja e também diz não à herdeira, preparando-a para um mundo onde o querer depende sempre de fatores que vão além da vontade de agradar. Embora queira satisfazer a filha, ela concorda que deve fazê-lo, mas sempre com a preocupação de não estourar as finanças familiares.