Cidades
Obras provocam caos em casa maternal
A notícia do fechamento da Casa Maternal Denilma Bulhões, no Benedito Bentes, deixou as comunidades da região em polvorosa. Desde o fim de semana, um mutirão de carros de som e notas oficiais da prefeitura ?esclareciam? que tudo não passava de boato. Após denúncias do Ministério Público Estadual (MPE) e do Conselho Regional de Medicina (Cremal), que alertavam sobre a suspensão dos atendimentos, a Gazeta de Alagoas voltou à maternidade, ontem, para ver o que, de fato, acontece lá. Antes estivesse fechada mesmo. O ambiente é totalmente insalubre, sombrio, indecente, um nocivo atentado à saúde pública e à dignidade humana. Os corredores de acesso ao local de atendimento estão tomados pela poeira, ferragens, equipamentos abandonados e materiais de construção de uma obra desorganizada que acontece no mesmo prédio da maternidade. Por volta das 9h30 de ontem, quatro gestantes aguardavam atendimento num corredor escuro, tomado por uma nuvem de fumaça, em meio ao bate-bate das obras e ao vaivém dos trabalhadores. Agoniadas com o calor, o pó e as agruras da gravidez, ainda tinham que tolerar a algazarra de alguns operários, piadas sem graça e a dificuldade para utilizar um banheiro. A Denilma Bulhões nem está em obra, mas compartilha o mesmo prédio do Posto de Saúde Hamilton Falcão, este sim, em reforma. Os nove meses de gravidez de Mércia Teles da Silva é logo percebido pelo tamanho da barriga. ?Ainda agora estava uma nuvem de fumaça aqui. Como é que tem condições de a pessoa ser atendida aqui, desse jeito??, reclamava a futura mãe, que logo se levantou à procura de um banheiro. Teve de caminhar pelo corredor do canteiro de obras, com dificuldades, para chegar a um lugar podre que chamam de banheiro. Foi preciso passar por sacos de cimento e pintores lixando a parede para chegar ao cubículo onde jazem batas abandonadas, junto a botas e fardas utilizadas pelos operários.