loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Trabalhadores s�o abandonados

Ouvir
Compartilhar

Só teias de aranha são tecidas no outrora pujante parque industrial da Fábrica Carmen, em Fernão Velho. Todas as máquinas, mobiliário e até o telhado foram arrancados, assim como os direitos trabalhistas da grande maioria dos 230 operários da empresa de tecelagem, construída numa área de 25 mil metros quadrados. A fábrica fechou em 2010, mas até hoje eles não têm notícias sobre a abertura judicial de um processo de falência e aguardam o pagamento de salários atrasados, horas-extras, férias, indenizações, fundo de garantia e tudo o mais. Enganados pela promessa de que a venda do maquinário pagaria as dívidas trabalhistas, os ex-operários sofrem uma tortura diária ao ver a fábrica se desmanchando, peça por peça. E o pior: tudo é vendido, mas nenhum dinheiro chega nos processos trabalhistas. ?Eles (os antigos donos da fábrica fechada) estão derrubando tudo e vendendo. Alegam que o maquinário estava sucateado, mas sabemos que a maior parte está funcionando em outras fábricas. Só de cobre, foi vendido quase R$ 800 mil?, reclama o ex-supervisor de turno Paulo Máximo, que trabalhou 40 anos na Carmen. Durante a nossa reportagem, havia pessoas retirando telhas de Brasilit da fábrica para vender. O mecânico de tecelagem Fábio Assis, que trabalhou lá 42 anos, afirma que apenas uma das máquinas, o autocouro, estava avaliada em cerca de R$ 100 mil. Só que os recursos das vendas não estão chegando para honrar as dívidas trabalhistas. ?Algumas pessoas ainda fizeram acordos, mas poucos deles foram cumpridos, apenas com o pessoal que estava há pouco tempo?, conta Fábio. Entre os antigos, ninguém recebeu nada. A fábrica está totalmente depenada. Seu interior é um oco. Sem telhado nem paredes divisórias. Até as encanações e fiação elétrica antiga, de cobre, foram levadas. O mato toma conta de tudo e o espaço agora só serve de abrigo para usuários de crack, muitas vezes filhos e netos de operários desempregados que caíram em petição de miséria.

Relacionadas